Após três meses estável, desemprego cai para 9,7% em junho, diz IBGE
da Folha Online
Após três meses estagnada em 10,1%, a taxa de desemprego em seis regiões metropolitanas do país caiu para 9,7% em junho, segundo a Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Trata-se da primeira queda na taxa de desocupação do ano, com abertura significativa de postos de trabalho.
A renda do trabalhador, porém, também caiu. O recuo foi de 0,5% em relação ao mês anterior. O IBGE apura dados em São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Salvador, Recife e Porto Alegre.
Na comparação com o mesmo mês do ano passado, o desemprego registra uma queda de 0,7 ponto percentual. O contingente total de desempregados atingiu 2,2 milhões de pessoas em junho. Segundo o IBGE, em junho, a taxa de ocupação cresceu 0,5 ponto percentual frente ao mês de maio, ou seja, houve criação de vagas.
A reação no mercado de trabalho foi ditada por São Paulo, em que o desemprego caiu de 11,2% para 10,2%. Nas demais regiões foi registrada estabilidade estatística, segundo o IBGE. Em junho, a taxa de desemprego foi de 7,8% em Belo Horizonte, 14,6% em Salvador, 12,6% em Recife, 8% no Rio e 7,4% em Porto Alegre.
Das 268 mil vagas abertas nas seis regiões, 184 mil vieram da região metropolitana de São Paulo. Segundo o gerente da pesquisa, Cimar Azeredo, as contratações na região são um indicador antecedente de aumento da ocupação nas demais áreas do país.
"A queda no desemprego tem nome e endereço completo: São Paulo. Com o crédito mais fácil e a taxa de juros mais baixa, o mercado de trabalho conseguiu absorver mais", disse Azeredo.
No semestre, a taxa média de desemprego ficou em 9,9%, menor do que registrada no primeiro semestre de 2006, que foi de 10,1%. Trata-se do valor mais baixo dos últimos cinco anos.
Renda
O contingente de trabalhadores com carteira de trabalho assinada no setor privado caiu 2,7%. A massa salarial efetiva, de maio em relação a abril, somou R$ 22,9 bilhões, o que representa um acréscimo de 0,7% na comparação de maio com abril e uma alta de 5,9% sobre o mesmo mês do ano passado.
Para junho, a expectativa é que a massa fique em R$ 23,34 bilhões, o que representa um aumento de 1% entre maio e junho.
O poder de compra da população ocupada caiu 0,5% em junho em relação a maio, com rendimento médio real estimado em R$ 1.119,20. Em relação a junho de 2006, o aumento foi de 2,7%. A renda média do primeiro semestre ficou em R$ 1.116,7, 4,4% maior que o primeiro semestre de 2006 (R$ 1.069,3).
A queda nos rendimentos de junho frente a maio é explicada, segundo Azeredo, pelo fato de a maior parte das contratações terem ocorrido em seguimentos que tradicionalmente pagam menos, como comércio. O setor registrou uma alta de 3% nas contratações, o equivalente a um acréscimo de 118 mil postos.
Além disso, a ocupação entre os trabalhadores por conta própria subiu 2,6%, aquele que tradicionalmente ganham menos. "A maior parte dos novos empregados começa ganhando menos, e isso também explica a queda da renda apesar do aumento de vagas", diz.
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