Itaú cresce com crédito e adota postura conservadora contra calotes
DEISE DE OLIVEIRA
da Folha Online
Se por um lado a expansão da carteira de crédito foi um dos propulsores do crescimento do Itaú no primeiro semestre, por outro, o banco adotou uma "postura conservadora" para se proteger de possíveis maus pagadores. A provisão para créditos de liquidação duvidosa alcançou R$ 3,372 bilhões, com R$ 489 milhões a mais ante o primeiro semestre de 2006.
O banco Itaú informou nesta segunda-feira lucro líquido de R$ 4,016 bilhões de janeiro a junho. O resultado é 35,7% superior ao número apurado na primeira metade do ano passado e supera o lucro semestral anunciado ontem pelo rival Bradesco (R$ 4,007 bilhões).
"Não acreditamos em perspectiva de deterioração da carteira de crédito. Há certa volatilidade no mercado externo, mas a crise é localizada. O Brasil está menos exposto. A provisão foi uma medida conservadora para evitar estresse", afirmou Sílvio Carvalho, diretor-executivo do Itaú, em conferência telefônica com a imprensa nesta terça-feira.
Já quanto à inadimplência, o diretor do Itaú está otimista e anunciou tendência de queda até o final do ano. Segundo Carvalho, o índice ficou estável em 5,1% em junho deste ano em comparação a junho do ano passado e deve encerrar o ano em 5%.
"A tendência é de queda, principalmente na pessoa física, que já recuou de 8,1% em junho do ano passado, para 7,5% agora. Para pessoa jurídica, por conta do aumento grande do crédito nesse segmento, houve aumento de 1% para 2,3%", explicou Carvalho.
Veículos
Segundo Carvalho, a estimativa de crescimento da carteira de crédito é da ordem de 20% e 25% neste ano, impulsionada pelas operações na Argentina, Chile e Uruguai e com destaque para a concessão à pessoa física, no patamar de 35%, e, mais especialmente, para veículos (40%) --a exemplo do que se verificou no primeiro semestre deste ano.
Até junho, as operações de crédito do Itaú somaram R$ 104,82 bilhões --crescimento de 40% sobre o resultado para o mesmo período no passado.
Os empréstimos para pessoa física puxaram o desempenho, com R$ 45,03 bilhões e alta de 32,9% em junho deste ano em relação ao mesmo período de 2006. Os financiamentos de veículos saltaram 58,6%. Cartão de crédito teve alta de 20,3%, e crédito pessoal, de 11,3%.
Empresas
Na carteira de empresas, Carvalho destacou a performance das pequenas e médias empresas, com alta de 59,7%, a R$ 21,25 bilhões. As grandes empresas totalizaram R$ 25,63 bilhões, aumento de 16% sobre junho de 2005. A carteira de crédito voltada para micro, pequenas e médias empresas totalizou R$ 21,25 bilhões, alta de 59,7% sobre o ano passado no mesmo período.
"Conseguimos esses resultados com a consolidação das operações no Chile e Uruguai e também com a incorporação de todas as agências do Bank Boston, que tem muitas empresas no perfil da carteira de clientes", afirmou Carvalho.
A expansão da carteira de crédito é uma das principais ferramentas para os bancos compensarem a queda da taxa de juros e garantirem rentabilidade. Carvalho reconhece que a maior oferta de crédito pelo Itaú tem reflexos na rentabilidade, nos últimos quatro anos. Porém, prevê recuo da rentabilidade neste ano, do patamar atual de 11,5% para 11,2% no segundo semestre, caso o cenário de taxas crescentes de juros se mantenha.
Balanço
Por R$ 9 milhões, o lucro do Itaú superou o do Bradesco nos primeiros seis meses deste ano. Com R$ 4,016 bilhões, o resultado do Itaú é 22% superior aos R$ 4,007 bilhões do Bradesco, divulgados ontem pela instituição, e passa a liderar o ranking de maiores ganhos da história dos bancos brasileiros privados no período, segundo levantamento da consultoria Economática.
No segundo trimestre, o lucro do Itaú foi de R$ 2,115 bilhões, acréscimo de 41% sobre o resultado para o mesmo período em 2006. O Itaú calculou um lucro recorrente --sem o efeito dos ganhos extraordinários-- de R$ 1,919 bilhão no período, um incremento de 0,9% sobre o primeiro trimestre deste ano e de quase 30% sobre o segundo trimestre do ano passado.
O patrimônio líquido somou R$ 26,546 bilhões em junho deste ano, com alta de 51,2% em comparação ao mesmo período de 2006. O salto total de ativos atingiu R$ 255,418 bilhões, expansão de 48,1%.
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