Agroindústria brasileira tem maior expansão desde 1992
CLARICE SPITZ
da Folha Online, no Rio
O aumento da produção e a elevação de preços internacionais fez com que a agroindústria brasileira encerrasse o primeiro semestre com a maior expansão desde o início da série histórica em 1992. Nos primeiros seis meses deste ano o crescimento chegou a 4,6%. No ano passado, apresentou expansão de 1,5%.
A agroindústria corresponde a cerca de 15% do total da indústria brasileira. A agricultura, que detém maior peso na estrutura do índice, cresceu 4,2%. Já a pecuária, 4,9%.
A soja e o milho foram favorecidos pela maior produtividade agrícola e pelos bons preços internacionais. Os derivados da soja apresentaram crescimento de 10,6%, enquanto que os do milho, 12,9%.
Segundo Fernando Abritta, economista da Coordenação de Indústria do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a demanda pela soja brasileira cresceu já que os agricultores americanos têm preferido reduzir o plantio da cultura para plantar milho com vistas à produção de álcool. Ao contrário do Brasil que baseia sua produção de álcool na cana-de-açúcar, os americanos usam como matéria-prima o milho.
A produção de suco de laranja no Brasil, que subiu 39,9%, foi beneficiada pela quebra da safra na Flórida, que elevou a cotação internacional.
O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) prevê para este ano safra recorde de 133,4 milhões, o que pode significar um crescimento de 14,0% em comparação à obtida em 2006 (117,0 milhões de toneladas).
De acordo com Abritta, com o bom desempenho da lavoura e favorecido pelos bons preços internacionais, os agricultores conseguiram investir em máquinas e equipamentos e quitar dívidas antigas.
Os investimentos em máquinas e equipamentos registraram um crescimento de 31,5%. Além disso, o uso de inseticidas, herbicidas e outros defensivos cresceu 9,9%, com sua maior utilização nas lavouras de soja, milho e cana-de-açúcar. "O agricultor esteve mais capitalizado e conseguiu investir em máquinas e equipamentos", afirmou.
A pesquisa constata ainda que após ter afastado em definitivo os problemas causados pela gripe aviária e febre aftosa, a produção de aves cresceu 11,2% e a de bovinos e suínos subiu 6,2%.
Por outro lado, a produção de leite experimentou uma queda de 7,5%. Só no segundo trimestre, a produção de leite registra um recuo de 11,3%.
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