Publicidade

Dinheiro
09/08/2007 - 17h34

Bovespa fecha em queda de 3,28%; economia americana assombra mercados

Publicidade

EPAMINONDAS NETO
da Folha Online

Os mercados mundiais viveram um novo dia de turbulência, após os problemas do setor de hipotecas dos EUA "atravessarem" a fronteira e contaminarem um dos maiores bancos franceses, o BNP Paribas. Da Europa ao continente americano, todas as principais Bolsas de Valores do planeta fecharam no vermelho e a derrocada dos mercados deu o tom do noticiário internacional durante toda a quinta-feira.

O Brasil não foi exceção. O Ibovespa, principal índice da Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo), teve perdas de 3,28% no fechamento, aos 53.430 pontos. O dólar comercial, que sempre sobe em momentos de nervosismo, disparou 2,06% e fechou cotado a R$ 1,926 para venda.

A taxa de risco-país, medida pelo indicador Embi+ (JP Morgan), marcou 186 pontos, em um avanço de 8,13% sobre a pontuação final de ontem.

Nos EUA, a Bolsa de Nova York fechou em queda de 2,83%. Na Europa, as Bolsas também encerraram com baixa acentuada. A Bolsa de Londres caiu 1,92% e fechou com 6.271,20 pontos; a Bolsa de Paris registrou a maior queda entre as principais européias, fechando em baixa de 2,17%, com 5.624,78 pontos.

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, tentou acalmar os investidores e disse que há liquidez (oferta de dinheiro) suficiente no país para permitir uma "correção" nos mercados financeiros, que vêm sofrendo abalos.

No Brasil, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que o país tem condições para enfrentar a atual turbulência internacional. "O Brasil está muito sólido para enfrentar uma situação como essa. O mercado não está preocupado com o Brasil."

Economia americana

O banco francês BNP Paribas detonou a onda de perdas nesta quinta-feira ao ter congelado os saques de três fundos. A instituição financeira aplicava recursos justamente em operações hipotecárias americanas.

O BNP congelou os resgates nos fundos Parvest Dynamic ABS, o BNP Paribas ABS Euribor e o BNP Paribas ABS Eonia, alegando que "a completa evaporação de liquidez em certos segmentos do mercado de securitização tornou impossível avaliar certos ativos apesar de sua qualidade ou de sua classificação de risco".

Pouco mais tarde, a maior seguradora do mundo, a AIG Seguros, elevou ainda mais a temperatura dos negócios, ao relatar um aumento de inadimplência em sua carteira de empréstimos hipotecários, mesmo entre clientes de melhor perfil de crédito.

Bancos centrais das principais economias do planeta correram para apagar o incêndio e anunciaram injeções de crédito no sistema financeiro, a exemplo do americano Federal Reserve, que liberou US$ 24 bilhões através de suas operações no mercado aberto, para evitar problemas de falta de liquidez.

O BCE, por sua vez, liberou 94,8 bilhões de euros (US$ 129 bilhões) em fundos. Com a falta de liquidez, as taxas de juros no mercado europeu chegaram ao seu maior nível em seis anos.

Há meses o mercado monitora com preocupação o mercado de crédito imobiliário dos EUA, que sofre com uma inadimplência acima do esperado nos empréstimos de alto risco, isto é, em que há maior chance de não ser pago.

Várias empresas que trabalhavam com esses empréstimos de alto risco já relataram problemas de caixa por conta desses créditos de segunda linha. Investidores temem que esses problemas, por enquanto localizados, se propaguem pelo restante do mercado de crédito, afetando o restante da economia americana.

Cautela

"O mercado está cauteloso em excesso devido aos problemas das últimas semanas. Não é uma análise fria, é feita no momento de uma crise [o problema com os 'subprimes'], que por enquanto tem se mostrado isolada", afirma Daniel Gorayeb, analista da corretora Spinelli.

Para Gorayeb, as fortes quedas dos últimos dias refletem mais um movimento de realização de lucros (venda de papéis muito valorizados) que já era esperada, na verdade, no decorrer do mês de julho. "As vendas de casas [nos EUA] estão caindo, mas não os preços, o que seria o verdadeiro problema. O que nós estamos vendo agora é uma correção de excessos do mercado imobiliário [dos EUA] nos últimos anos", acrescenta.

O analista ressalta que ainda é cedo para saber se existe uma mudança de tendência das Bolsas. "É claro que esses problemas devem afetar um pouco a economia, mas por enquanto, estão afetando mais o lado psicológico [do mercado] que a economia real", avalia.

"Os mercados estão operando perto dos picos e, depois de reavaliar a situação, devem corrigir os exageros. Isso se não houver mais nenhum fator negativo importante, especialmente ligado ao mercado imobiliário e ao de crédito", afirma Miriam Tavares, diretora de câmbio da corretora AGK.

Acompanhe as notícias em seu celular: digite o endereço wap.folha.com.br

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca