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Dinheiro
10/08/2007 - 10h17

Temor sobre créditos de risco mantém Bolsas européias em forte queda

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da Folha Online

As Bolsas européias registram quedas acentuadas nesta sexta-feira, mantendo o desempenho apresentado ontem, quando os temores sobre a exposição do sistema financeiro europeu aos créditos no segmento "subprime" (de maior risco) nos EUA levaram o BCE (Banco Central Europeu) e o Federal Reserve (Fed, o BC americano) a injetarem recursos nas instituições bancárias para garantir liquidez (oferta de crédito).

Às 10h15 (em Brasília), a Bolsa de Londres caía 2,63%, indo para 6.106,30 pontos (pouco antes, chegou a ter queda de 3,03%); a Bolsa de Paris tinha baixa de 2,52%, indo para 5.483,30 pontos; a Bolsa de Frankfurt registrava queda de 1,54%, recuando para 7.338,48 pontos; e a Bolsa de Milão tinha queda de 2,44%, caindo para 30.431 pontos.

Ontem, o banco francês BNP Paribas congelou os resgates em três fundos, retendo cerca de US$ 2,7 bilhões. Segundo o banco, a medida foi tomada em caráter temporário para avaliar a exposição desses fundos ao mercado de créditos de risco nos EUA.

O BCE injetou cerca de US$ 130 bilhões no sistema financeiro, para garantir a liquidez dos bancos no caso de uma corrida dos clientes às instituições bancárias para retirarem seu dinheiro. O Fed seguiu a medida e injetou ontem US$ 24 bilhões, com o mesmo fim, no caso de uma corrida aos bancos americanos.

Hoje foi a vez dos bancos centrais do Japão e da Austrália liberarem recursos para evitar falta de liquidez nos bancos dos dois países. As Bolsas asiáticas sentiram hoje o abalo provocado pelas quedas de quase 3% ontem em Wall Street e fecharam em baixa.

A Bolsa de Tóquio recuou 2,37%, ficando com 16.764,09 pontos no índice Nikkei 225. A Bolsa de Hong Kong fechou em queda de 2,9%, fechando com 21.792,70 pontos no índice Hang Seng. A Bolsa de Seul (Coréia do Sul) teve a queda mais expressiva e caiu 4,2%, fechando com 1,828.49 pontos.

Na Europa, as ações do setor financeiro foram as mais atingidas, com destaque para os papéis do Deutsche Bank, da seguradora AXA e da gestora de fundos "hedge" (que investe em ativos financeiros muito diversificados para grandes investidores, particulares e institucionais, como fundos de pensão) Man Group.

As ações do ABN Amro (alvo de uma disputa de compra entre o britânico Barclays e um consórcio de bancos europeus liderado pelo também britânico Royal Bank of Scotland) tinham queda de mais de 5%.

Segundo analistas do banco UBS, a atual situação não é de encolhimento do crédito, mas sim de uma reavaliação dos riscos.

A decisão do BNP ontem, com a medida adotada pelo BCE e seguida pelo Fed fez com que as Bolsas americanas fechassem o pregão da quinta-feira em baixa: o índice Dow Jones Industrial Average (DJIA) fechou ontem em baixa de 2,83%; o S&P 500, em queda de 2,96%; e a Bolsa Nasdaq perdeu 2,16%.

 

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