Dinheiro
10/08/2007 - 10h27

Bovespa segue derrocada global e recua; dólar dispara e atinge R$ 1,948

Publicidade

EPAMINONDAS NETO
da Folha Online

A Bolsa de Valores brasileira anuncia um novo dia de fortes perdas nesta sexta-feira, ainda sob influência das más notícias vindas da Europa, onde um banco francês congelou os saques de três fundos na quinta-feira, ainda sob impacto indireto da crise das operações hipotecárias dos Estados Unidos.

O Ibovespa, principal indicador da Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo), sofre perdas de 1,96%, aos 52.399 pontos. Ontem, o mesmo índice encerrou o dia em baixa de 3,27%, acompanhando a derrocada global das demais Bolsas.

O dólar comercial, que sempre dispara em momentos de crise, é negociado a R$ 1,948 para venda, em alta de 1,14%. Ontem, a moeda americana foi cotada a R$ 1,926 para venda, com acréscimo de 2,06%.

A sexta-feira não deve ser diferente. As principais Bolsas asiáticas fecharam em queda --Xangai teve queda de 0,1%; o pregão coreano teve perdas de 3%-- enquanto as Bolsas européias operam todas em território negativo.

Na quinta, da Europa ao continente americano, todas as principais Bolsas de Valores do planeta fecharam no vermelho e a derrocada dos mercados deu o tom do noticiário internacional.

Entenda

Ontem, o banco francês BNP Paribas detonou a onda de perdas ao congelar os saques de três fundos. A instituição financeira aplicava recursos justamente em operações hipotecárias americanas.

Investidores e analistas de bancos e corretoras temem os efeitos de uma contração global do mercado de crédito, devido aos problemas no mercado de crédito imobiliário americano. Uma inadimplência acima do esperado nos empréstimos de alto risco ("subprime") provocou problemas de caixa nas várias empresas e fundos de investimentos que operavam com esses créditos.

Analistas de instituições financeiras internacionais já anunciam o que desponta ser uma crise global de liquidez (oferta de crédito) --quando bilhões de recursos param de circular nos mercados, porque aumenta a aversão do investidor ao risco.

Socorro

Um forte indicativo é ação dos bancos centrais, que já começaram a se movimentar para "socorrer" o sistema financeiro. Hoje, o BCE (Banco Central Europeu) realizou um leilão para injetar nas praças 61,05 bilhões de euros (US$ 83,3 bilhões) --ontem, já havia liberado 94,8 bilhões de euros (US$ 129 bilhões) em fundos de emergência de bancos europeus.

Ainda na quinta, o Federal Reserve (Fed, BC americano) liberou US$ 24 bilhões. Nesta sexta, foi a vez dos bancos centrais do Japão, Canadá e da Austrália liberarem recursos para evitar falta de liquidez nos bancos dos dois países.

Em nota divulgada hoje, o Fed diz que irá garantir a liquidez (do sistema financeiro para garantir seu "funcionamento ordenado".

"O Federal Reserve irá oferecer as reservas que forem necessárias através de operações de mercado aberto para promover negócios no mercado de fundos federais a taxas próximas à meta do Fomc [Comitê Federal de Mercado Aberto, na sigla em inglês, equivalente ao Copom no Brasil], de 5,25%", diz a nota do Fed.

Acompanhe as notícias em seu celular: digite o endereço wap.folha.com.br

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca