Dinheiro
10/08/2007 - 12h36

Instabilidade global arrasta Bovespa, que cai 2,6%; dólar sobe 1,3%

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EPAMINONDAS NETO
da Folha Online

Em meio às incertezas sobre a extensão dos problemas com as operações hipotecárias americanas, as Bolsas de Valores têm um novo dia de queda livre. O Ibovespa, principal índice de ações da Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo), sofre perdas de 2,61%, aos 52.042 pontos. O volume financeiro mostra a corrida dos investidores: R$ 1,98 bilhão, acima da média para o horário das 12h.

Seguindo a tendência de sempre disparar em momentos de crise, o dólar comercial é negociado a R$ 1,952 para venda, com forte alta de 1,34%. O risco-país marca 192 pontos, número 2,67% superior à pontuação final de ontem. Na Ásia, na Europa e nos EUA, as principais Bolsas fecharam em queda ou ainda operam com fortes perdas.

"Na verdade, ninguém sabe ainda a extensão desses problemas no mercado de crédito imobiliário sobre a economia americana, e eventualmente, sobre a economia global", afirma Felipe Cunha, analista da corretora Brascan.

"Seguimos acreditando em fundamentos positivos, mas mantemos nossa opinião de que os mercados devem permanecer extremamente voláteis no curto prazo e, portanto, recomendamos cautela", afirma por sua vez o analista André Segadilha, em relatório diário da corretora Prosper.

O mercado já monitorava há meses os problemas com as hipotecas americanas, principalmente no caso de empréstimos de mais alto risco (os chamados "subprime"). Quando a inadimplência dessas operações superou as expectativas, empresa após empresa nos EUA começou a relatar problemas de caixa. Ontem, parece que finalmente esses problemas atravessaram as fronteiras americanas.

O banco francês BNP Paribas, um dos mais importantes da Europa, congelou os saques de três fundos, que operavam justamente com os créditos imobiliários americanos. No mundo da globalização financeira, créditos gerados nos EUA podem ser convertidos em ativos financeiros que vão render juros para investidores na Europa.

Os bancos centrais entraram em ação para tentar conter a crise. O BCE (Banco Central Europeu) realizou um leilão para injetar nas praças 61,05 bilhões de euros (US$ 83,3 bilhões) --ontem, já havia liberado 94,8 bilhões de euros (US$ 129 bilhões) em fundos de emergência de bancos europeus.

Ontem, para socorrer o mercado, o Federal Reserve (Fed, BC americano) liberou US$ 24 bilhões. Hoje, liberou mais US$ 16 bilhões, e disse, em nota, que irá garantir a liquidez do sistema financeiro para promover seu "funcionamento ordenado". Os bancos centrais do Japão, Canadá e da Austrália também liberaram recursos para evitar falta de liquidez.

"A gente vai precisar acompanhar os desdobramentos dessa crise com atenção. Ainda é difícil saber se os problemas com os créditos de alto risco realmente já afetaram a economia americana de modo que provoque uma desaceleração [brusca]. Os dados ainda estão muito confusos", afirma Felipe Cunha, do Brascan.

"A dúvida é saber como o Fed [BC americano] vai reagir à crise, se ele vai atuar elevando os juros, ou deixando o mercado se auto-regular", acrescenta.

Analistas têm ressaltado que os fundamentos da economia brasileira estão melhores que há alguns anos, com um nível de reservas muito mais alto e com a inflação sob controle, o que ajuda o país em momento de turbulência. Segundo o próprio ministro da Fazenda, Guido Mantega, a economia brasileira estaria mais resistentes à crises financeiras internacionais.

"Tudo isso pode ser verdade quando se fala sobre a economia doméstica, que pode ser afetada talvez no médio prazo, com uma eventual desaceleração da economia americana no médio. Agora, a conseqüência dessa crise na Bovespa é muito mais imediata que na economia como um todo", explica Cunha.

"Temos que lembrar que pelo menos 40% das ações negociadas na Bolsa são de empresas exportadoras ou muito dependente dos preços [internacionais] de commodities. Quer dizer, talvez não haja uma blindagem tão grande para muitos setores", acrescenta.

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