Fed injeta mais US$ 38 bi para reforçar sistema bancário
da Folha Online
O Federal Reserve (Fed, o BC americano) liberou nesta sexta-feira mais US$ 38 bilhões em reservas, em caráter temporário, para o sistema bancário americano, a fim de evitar uma crise de liquidez que poderia se seguir à atual crise no mercado de créditos de risco no país.
Pela manhã, o Fed havia anunciado a liberação de US$ 19 bilhões; perto do fim da manhã, anunciou a liberação de mais US$ 16 bilhões; em seguida fez mais uma injeção de US$ 3 bilhões. A medida de hoje se segue à que foi tomada ontem, de liberar US$ 24 bilhões.
O Fed se movimentou após ação do BCE (Banco Central Europeu) de ontem, que liberou cerca de US$ 130 bilhões para o sistema bancário europeu, após a decisão do BNP Paribas, de congelar os resgates em três fundos (que movimentam cerca de US$ 2,7 bilhões), alegando dificuldades para avaliar a exposição desses fundos aos créditos de risco nos EUA.
O mercado financeiro mundial passou a evitar os papéis ligados ao setor "subprime" (que reúne clientes com histórico de problemas com crédito) do mercado imobiliário americano devido ao crescimento da inadimplência nesse segmento. Algumas das maiores empresas de hipotecas nos EUA, como a New Century Financial e a American Home Mortgage.
Outras empresas nesse setor, como a Countrywide e a Washington Mutual, já informaram que devem sofrer "problemas sem precedentes" e ter seus resultados "gravemente afetados" no curto prazo devido à crise. A SEC (Securities and Exchange Commission, órgão regulador do mercado de capitais norte-americano) informou hoje que irá investigar grandes bancos e corretoras em Wall Street para descobrir se essas instituições estão escondendo informações sobre eventuais perdas ligadas à crise segmento "subprime".
O Fed tomou a decisão de não mexer na meta da taxa de fundos federais, hoje em 5,25% --a taxa é utilizada nas transações "overnight" (usada para operações de um dia em empréstimos entre bancos). O banco divulgou uma nota hoje afirmando que irá garantir a liquidez (oferta de crédito) do sistema financeiro para garantir seu "funcionamento ordenado". "Nas atuais circunstâncias, as instituições depositárias podem passar por necessidades pouco comuns de fundos devido aos movimentos de dinheiro nos mercados de crédito", diz a nota.
O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, disse ontem que há "liquidez suficiente" no país para permitir uma "correção" nos mercados financeiros. "Há liquidez suficiente no sistema para permitir uma correção nos mercados", disse Bush.
Na quarta-feira (8), Bush havia dito que os mercados financeiros no país encontrarão um modo seguro de fazer um "pouso suave" e deixar para trás a recente onda de turbulências que atravessou. Para Bush, os investidores irão reavaliar seus riscos e se concentrar nos fundamentos da economia.
Bush afirmou confiar em que os investidores se acalmarão diante da crise no mercado de crédito imobiliário no país.
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