Dinheiro
10/08/2007 - 14h14

Bovespa reduz ritmo de queda e cai 1,8%; dólar sobe 0,9%

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EPAMINONDAS NETO
da Folha Online

A ação de alguns dos principais bancos centrais do planeta, que injetaram dinheiro no mercado de crédito, já têm efeito sobre os mercados globais, reduzindo a força da derrocada das Bolsas mundiais observada nas primeiras horas de negócios desta sexta-feira.

No Brasil, o Ibovespa, principal indicador da Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo), operava em baixa de 1,87%, aos 52.431 pontos, às 14h. No pior momento do dia, o índice chegou a cair mais de 3%.

Seguindo a tendência de sempre disparar em momentos de crise, o dólar comercial é negociado a R$ 1,944 para venda, em alta de 0,93%. O risco-país, medido pelo indicador Embi+ (JP Morgan), marca 192 pontos, em alta de 2,67% sobre a pontuação final de ontem.

A situação também se acalma, relativamente, nas Bolsas européias e americanas --a Bolsa de Nova de York já chegou a operar em território positivo.

Reuters
Bolsas asiáticas fecharam em forte queda, afetadas por crédito de risco nos EUA
Bolsas asiáticas fecharam em forte queda, afetadas por crédito de risco nos EUA

O banco central americano, o Federal Reserve, liberou somente hoje mais US$ 35 bilhões em reservas, em caráter temporário, para o sistema bancário americano. Pela manhã, o Fed havia anunciado a liberação de US$ 19 bilhões e, perto do fim da manhã, anunciou a liberação de mais US$ 16 bilhões. A medida de hoje se segue à que foi tomada ontem, de liberar US$ 24 bilhões.

Também ajudou a nota divulgada pelo Fed, que afirma que irá garantir a liquidez do sistema financeiro para promover seu "funcionamento ordenado". "O Federal Reserve irá oferecer as reservas que forem necessárias através de operações de mercado aberto para promover negócios no mercado de fundos federais a taxas próximas à meta do Fomc [Comitê Federal de Mercado Aberto, na sigla em inglês, equivalente ao Copom no Brasil], de 5,25%", diz.

Na Europa, o BCE (Banco Central Europeu) injetou no mercado 61,05 bilhões de euros (US$ 83,3 bilhões), com vencimento de três dias, em um leilão adicional de financiamento rápido para injetar liquidez no sistema financeiro --ontem já havia liberado 94,8 bilhões de euros, a maior já feita pelo órgão. Também fizeram liberações os bancos do Japão, Austrália e Canadá.

O mercado já monitorava há meses os problemas com as hipotecas americanas, principalmente no caso de empréstimos de mais alto risco (os chamados "subprime"). Quando a inadimplência dessas operações superou as expectativas, empresa após empresa nos EUA começou a relatar problemas de caixa. Ontem, parece que finalmente esses problemas atravessaram as fronteiras americanas.

Os problemas com o mercado de operações hipotecárias dos EUA tomaram vulto principalmente quando o banco francês PNB Paribas, um dos mais importantes da Europa, anunciou o congelamento de saques de três fundos "lastreados" nesses papéis. No mundo da globalização financeira, créditos gerados nos EUA podem ser convertidos em ativos financeiros que vão render juros para investidores na Europa.

Sob a perspectiva de problemas de liquidez (oferta de crédito) em mais fundos, os investidores se retraíram, no tradicional movimento de aversão ao risco, que afeta diretamente os mercados de economias emergentes. Com medo, os investidores fogem das ações e investem em títulos mais seguros.

Cautela

"Na verdade, ninguém sabe ainda a extensão desses problemas no mercado de crédito imobiliário sobre a economia americana, e eventualmente, sobre a economia global", afirma Felipe Cunha, analista da corretora Brascan.

"Seguimos acreditando em fundamentos positivos, mas mantemos nossa opinião de que os mercados devem permanecer extremamente voláteis no curto prazo e, portanto, recomendamos cautela", afirma por sua vez o analista André Segadilha, em relatório diário da corretora Prosper.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, reafirmou que as reservas internacionais --quase US$ 160 bilhões-- são suficientes para dar segurança ao país e que o sistema financeiro brasileiro é sólido. Também disse que, em sua opinião, só há risco de crise se os efeitos dessa volatilidade chegarem à economia real, com queda no nível de produção das empresas e no comércio entre os países.

"Tudo isso pode ser verdade quando se fala sobre a economia doméstica, que pode ser afetada talvez no médio prazo, com uma eventual desaceleração da economia americana no médio. Agora, a conseqüência dessa crise na Bovespa é muito mais imediata que na economia como um todo", avalia Cunha.

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