Bolsas européias fecham em queda com crise em mercados de crédito
da Folha Online
As Bolsas européias fecharam em baixa nesta sexta-feira, com perdas acentuadas, afetadas pela crise no mercado de crédito dos EUA, em particular no segmento "subprime" (que envolve clientes com histórico de inadimplência). As ações do setor financeiro foram as mais afetadas hoje.
A Bolsa de Londres caiu 3,71% (maior recuo entre as européias hoje) e fechou com 6.038,30 pontos; a Bolsa de Paris registrou baixa de 3,13%, fechando com 5.448,63 pontos; a Bolsa de Frankfurt teve queda de 1,48% e fechou com 7.343,26 pontos; e a Bolsa de Milão encerrou o dia com perda de 2,48% e 30.418 pontos.
As Bolsas na Europa, na Ásia e nos EUA vêm sendo abaladas pela situação de crise no mercado de crédito imobiliário nos EUA, principalmente no segmento de hipotecas de risco. A atual onda de perdas foi disparada ontem com a decisão do banco francês BNP Paribas de congelar os resgates em três fundos (que movimentam cerca de US$ 2,7 bilhões). As ações do banco caíram 4,4% hoje.
O banco informou que terá dificuldades em avaliar a dimensão da exposição desses fundos ao mercado de crédito "subprime" americano, q que por isso teve de suspender os resgates. O BCE (Banco Central Europeu), o Federal Reserve (Fed, o BC americano) e os bancos centrais do Japão e da Austrália começaram a liberar recursos para garantir a liquidez das instituições bancárias, caso haja uma corrida dos clientes aos bancos para retirarem seu dinheiro.
Hoje o BCE (Banco Central Europeu) disponibilizou 61,05 bilhões de euros (US$ 83,3 bilhões) em um novo leilão adicional de financiamento rápido para injetar liquidez no sistema financeiro. Ontem o banco havia liberado cerca de US$ 130 bilhões para garanmtir liquidez aos bancos. A medida não ajudou a levantar os índices das Bolsas européias.
Já o Fed liberou mais US$ 35 bilhões hoje, além dos US$ 24 que havia liberado ontem, com a mesma finalidade. Em Wall Street, os índices mostraram alguma reação, reduzindo as perdas da manhã, superiores a 1%.
"Mencione a palavra 'subprime' e o mercado cai 100 pontos", disse à agência de notícias Associated Press o estrategista-chefe da Brewin Dolphin Stockbrokers, Mike Lenhoff. "A preocupação é quanto ao tamanho dos problemas que surgiram. Até que haja uma percepção de que a crise é contida, vamos ver mais instabilidade."
As ações do setor financeiro são as que mais registram perdas. Os papéis do Deutsche Bank caíram 3,5%; os da seguradora AXA, 3,4%; e os da gestora de fundos "hedge" (que investe em ativos financeiros muito diversificados para grandes investidores, particulares e institucionais, como fundos de pensão) Man Group, 9,1%.
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