Dinheiro
10/08/2007 - 17h27

Mercado modera nervosismo e Bovespa fecha em queda de 1,48%

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EPAMINONDAS NETO
da Folha Online

Os mercados de capitais globais, que amanheceram nesta sexta-feira em forte queda, fecharam a semana em ritmo bem mais ameno, após uma ação coordenada dos principais bancos centrais do planeta. Somente as autoridades monetárias dos EUA e da Europa abriram mais de US$ 100 bilhões aos respectivos sistemas financeiros para fazer frente à crise de crédito.

No Brasil, o Ibovespa, principal indicador da Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo), finalizou a sexta em queda de 1,48%, aos 52.638 pontos. Em seu pior momento, o índice de ações amargou perdas de 3,27%. O volume financeiro de hoje mostrou a corrida dos investidores: R$ 5,25 bilhões, bem acima da média diária dos últimos meses (cerca de R$ 3,5 bi).

Nos Estados Unidos, a Bolsa de Nova York fechou em baixa modesta de 0,23%. O S&P 500 conseguiu reverter e encerrar em leva alta de 0,04%, em 1.453,64 pontos.

O dólar comercial foi negociado a R$ 1,951 para venda, número 1,29% superior ao fechamento de ontem, em sua maior cotação dos últimos 40 dias. No dia, porém, a cotação chegou a subir 2,28%.

Shannon Stapleton/Reuters
Bolsas norte-americanas reduziram perdas em meio a crise sobre créditos de risco
Bolsas norte-americanas reduziram perdas em meio a crise sobre créditos de risco

O risco-país, medido pelo indicador Embi+, marcava 185 pontos no final desta tarde, um decréscimo de 1%, após ter disparado quase 9% nos momentos de maior nervosismo.

"Na verdade, ninguém sabe ainda a extensão desses problemas no mercado de crédito imobiliário sobre a economia americana, e eventualmente, sobre a economia global", afirmou Felipe Cunha, analista da corretora Brascan.

Para alguns analistas, a turbulência não acabou, mas no médio prazo a expectativa é mais positiva. "Os mercados devem permanecer extremamente voláteis no curto prazo e, portanto, recomendamos cautela", afirma por sua vez o analista André Segadilha, da corretora Prosper. "No médio prazo, os fundamentos [econômicos] devem voltar a imperar", afirma a economista-chefe do banco Fibra, Maristella Ansanelli.

Intervenção

Pela manhã, as Bolsas asiáticas já antecipavam o dia turbulento: os principais pregões da região fecharam com fortes quedas, a exemplo do Japão (baixa de 2,37%) e Hong Kong (queda de 2,9%). Refletiam a derrocada e a notícia do dia anterior, quando o banco francês BNP Paribas congelou o saque de três de seus fundos de investimentos.

A instituição, uma das maiores da Europa, alegou dificuldades em contabilizar as reais perdas desses fundos, que tinham recursos aplicados em créditos gerados a partir de operações hipotecárias americanas. No mundo da globalização financeira, créditos gerados nos EUA podem ser convertidos em ativos que vão render juros para investidores na Europa.

Esses créditos imobiliários, chamados de "subprime" (de segunda linha), são gerados a partir empréstimos com tomadores que podem oferecer menos garantia. Embutem maior risco de crédito e por isso, têm juros maiores, o que os torna mais atrativos para gestores de fundos em busca de retornos melhores.

Reuters
Bolsas asiáticas fecharam em forte queda, afetadas por crédito de risco nos EUA
Bolsas asiáticas fecharam em forte queda, afetadas por crédito de risco nos EUA

O mercado já monitorava há meses os problemas com esses créditos. Quando a inadimplência dessas operações superou as expectativas, empresa após empresa nos EUA relataram problemas de caixa. E ontem, o caso do Paribas sinalizou que esses problemas haviam atravessado as fronteiras.

Na Europa, as principais Bolsas deram continuidade ao nervosismo observado nos pregões asiáticos, com a as ações londrinas fechando em baixa de 3,71%, assim como Paris (queda de 3,13%) e Amsterdã (recuo de 3,05%).

As Bolsas americanas seguiam pelo mesmo caminho, quando os mercados começaram a mostrar os efeitos da ação de algumas das principais autoridades monetárias do planeta. O Federal Reserve (EUA), que ontem anunciou a liberação de US$ 24 bilhões, abriu mais três linhas (só nesta sexta foram liberados mais US$ 38 bilhões). O banco ainda divulgou uma nota em que diz que irá garantir a liquidez (oferta de crédito) do sistema financeiro para garantir seu "funcionamento ordenado".

O BCE (União Européia), por sua vez, ofereceu US$ 130 bilhões --a maior injeção de dinheiro já feita pelo órgão-- ontem e US$ 83 bilhões hoje, à maneira dos bancos centrais japonês e australiano.

As autoridades responsáveis também foram a campo no Brasil. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, concedeu entrevistas para reforçar a tese de que o país tem fundamentos econômicos melhores e está mais resistente a eventuais crises financeiras. "Eu acredito que esta turbulência não deve durar, mas se durar, nós temos muita bala na agulha para enfrentar a crise", disse ele.

"Tudo isso pode ser verdade quando se fala sobre a economia doméstica, que pode ser afetada talvez no médio prazo, com uma eventual desaceleração da economia americana no médio prazo. Agora, a conseqüência dessa crise na Bovespa é muito mais imediata que na economia como um todo", avalia Felipe Cunha, da Brascan.

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