Bolsas em NY reduzem perdas em meio a crise sobre créditos de risco
da Folha Online
Após operarem em baixas expressivas durante o dia, as Bolsas americanas conseguiram reduzir as perdas no fim do pregão desta sexta-feira, em meio aos abalos causados nos mercados financeiros mundiais pela crise no setor imobiliário nos EUA, principalmente no segmento "subprime" (de maior risco).
A Bolsa de Valores de Nova York fechou em baixa de 0,23%, com 13.239,54 pontos no índice Dow Jones Industrial Average (DJIA), depois de recuar perto de 1% durante o dia; já o índice S&P 500, depois de ficar o dia todo no vermelho, encontrou fôlego para encerrar o dia com ligeira variação positiva de 0,04% e 1.453,64 pontos. A Bolsa Nasdaq fechou em queda de 0,45%, com 2.544,89 pontos (depois de as perdas durante o dia rondarem o patamar de 1%).
A crise nos mercados mundiais vem sendo ocasionada pela preocupação dos investidores quanto ao tamanho da crise representada pelo mercado de títulos ligados ao mercado de crédito "subprime". Com a ação do BNP Paribas ontem, de suspender resgates em três fundos alegando dificuldades de avaliar a exposição desses fundos aos créditos de risco nos EUA, os principais índices das Bolsas americanas encerraram a quinta-feira (9) com perdas acima de 2%.
O BCE (Banco Central Europeu) e o Federal Reserve (Fed, o BC americano) intervieram então para garantir liquidez aos bancos, no caso de uma eventual corrida para retirada de dinheiro por parte de clientes.
Entre ontem e hoje, o BCE liberou cerca de US$ 210 bilhões para reforçar a liquidez dos bancos europeus. O Fed, com o mesmo fim, liberou entre ontem e hoje cerca de US$ 62 bilhões, em três intervenções só hoje --na primeira, liberou US$ 19 bilhões; na segunda, US$ 16 bilhões; e na terceira, US$ 3 bilhões. Ontem, a injeção de recursos foi de US$ 24 bilhões.
O Fed ainda informou, em nota, que irá garantir a liquidez do sistema financeiro para garantir seu "funcionamento ordenado". "Nas atuais circunstâncias, as instituições depositárias podem passar por necessidades pouco comuns de fundos devido aos movimentos de dinheiro nos mercados de crédito", diz a nota.
"O Federal Reserve irá oferecer as reservas que forem necessárias através de operações de mercado aberto para promover negócios no mercado de fundos federais a taxas próximas à meta do Fomc [Comitê Federal de Mercado Aberto, na sigla em inglês, equivalente ao Copom no Brasil], de 5,25%."
"[A ação dos bancos centrais] é encorajadora porque é pró-ativa e mostra que não estão concentrados apenas nos número da inflação e não ignoram a turbulência no mercado de crédito", disse à agência de notícias Associated Press o chefe do setor de fundos de renda fixa do Nuveen Asset Management, John Miller.
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