Publicidade

Dinheiro
13/08/2007 - 10h18

Bancos centrais injetam mais de US$ 350 bi para conter crise de crédito

Publicidade

VINICIUS ALBUQUERQUE
da Folha Online

Os bancos centrais das principais economias do mundo já injetaram mais de US$ 350 bilhões em seus respectivos sistemas bancários desde quinta-feira (9) para evitar eventuais problemas de liquidez (oferta de crédito), provocados pelo temor quanto aos efeitos da crise no mercado de crédito de risco dos EUA.

A preocupação maior é causada pela situação de crescimento nas inadimplências no segmento da chamadas hipotecas "subprime" --reúne clientes com histórico de inadimplência ou com problemas sobre documentação.

O BCE (Banco Central Europeu) iniciou as intervenções no sistema bancário já na quinta-feira (9), quando injetou 94,8 bilhões de euros (cerca de US$ 129 bilhões). O banco francês BNP Paribas anunciou neste dia que havia congelado os resgates em três fundos, que administram cerca de US$ 2,7 bilhões, alegando incertezas sobre a exposição desses fundos ao mercado americano de crédito de risco.

Na sexta-feira (10), após um dia de quedas de cerca de 2% nas Bolsas européias e de quase 3% em Wall Street, o BCE voltou a intervir e liberou mais 61,05 bilhões de euros (US$ 83,3 bilhões), em mais uma ação para evitar uma crise de liquidez e tentar transmitir uma sensação de segurança, de que não deixaria o sistema bancário ruir. A ação foi ineficaz: a Bolsa de Londres chegou a perder 3,7%.

Hoje, o banco agiu mais uma vez, liberando 47,66 bilhões de euros (cerca de US$ 65 bilhões). Desta vez, houve um efeito positivo: as Bolsas européias mostram alguma recuperação nesta segunda-feira.

Às 10h14 (em Brasília), a Bolsa de Londres subia 2,71%, indo para 6.201,70 pontos; a Bolsa de Paris tinha alta de 2,12%, indo para 5.563,90 pontos; a Bolsa de Frankfurt registrava alta de 1,41%, indo para 7.446,79 pontos; e a Bolsa de Milão tinha alta de 1,29%, subindo para 30.811 pontos.

Nos EUA, o Federal Reserve (Fed, o BC americano) agiu já na quinta-feira, com a liberação de US$ 24 bilhões, para reforçar as reservas das instituições bancárias do país. A ação, no entanto, não foi suficiente para evitar que, no mesmo dia, as perdas na Nyse (Bolsa de Valores de Nova York, na sigla em inglês) se aproximassem de 3% no encerramento do pregão.

Na sexta-feira, nova ação do Fed: o banco libera mais US$ 38 bilhões, em três operações durante o dia (pela manhã, US$ 19 bilhões; no meio do dia, mais US$ 16 bilhões; e à tarde, outros US$ 3 bilhões). As Bolsas mostraram reação positiva --o índice S&P 500, depois de operar no vermelho por todo o pregão, encontrou espaço para fechar com ligeira variação positiva de 0,04%.

O Banco do Japão (banco central do país) agiu a partir de sexta-feira, com a liberação inicial de US$ 8,5 bilhões e, hoje, de mais US$ 5 bilhões. Depois de quedas na sexta-feira em praticamente todas as Bolsas asiáticas, hoje os resultados foram mais positivos: os principais mercados de ações da região --Tóquio, Seul, Hong Kong e Xangai-- fecharam em alta.

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca