Petrobras será minoritária em petroquímica
da Folha de S.Paulo, no Rio
A estatal Petrobras e a Unipar pretendem se unir para criar a CPS (Companhia Petroquímica do Sudeste), que terá o grupo privado como acionista majoritário.
As duas empresas divulgaram fato relevante ontem no qual dizem que já começaram as negociações para a criação da empresa, que terá como objetivo integrar os ativos de produção de resinas termoplásticas e petroquímicos básicos na região Sudeste.
A princípio, o anúncio afasta o temor de reestatização do setor petroquímico que surgiu depois da compra da Suzano Petroquímica pela Petrobras, há pouco mais de uma semana. A estatal pagou R$ 2,7 bilhões pela empresa e assumiu dívida de R$ 1,4 bilhão, preço considerado alto por analistas.
A Suzano e a Unipar são as principais petroquímicas do Sudeste e a expectativa do setor era que as duas se fundissem para criar uma grande companhia na região. A união faria parte do processo de consolidação do setor petroquímico, que passaria a ser dominado por duas ou três grandes empresas, que tivessem escala e fossem capazes de competir internacionalmente.
O primeiro passo desse processo foi dado no início desta década com a criação da Braskem, que domina a petroquímica nas regiões Nordeste e Sul. Faltava o Sudeste.
Nesse modelo, a Petrobras teria participação relevante, mas não majoritária nas novas empresas -a estatal é acionista da Braskem. Como a Petrobras é a principal fornecedora de matéria-prima para o setor, havia o temor que a reestatização no Sudeste desequilibrasse a concorrência com as demais companhias.
A estatal já havia ampliado sua presença no setor com a compra do grupo Ipiranga, por US$ 4 bilhões, em conjunto com Braskem e Ultra, no início deste ano.
Participação acionária
O comunicado não revela qual será o percentual do grupo privado na nova companhia. Na semana passada, o presidente da Unipar, Roberto Garcia, disse que pretendia ficar com 60% do capital. Segundo a nota de ontem, a Petrobras terá "papel relevante" como acionista.
Dentro de 90 dias, as empresas fecharão um acordo de investimento prevendo as condições de criação da CPS. Até lá, será feita a avaliação de ativos da Suzano e da Unipar. Procuradas pela reportagem, as empresas não se pronunciaram.
A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) investiga a possibilidade de vazamento de informações da operação em razão da grande movimentação dos papéis da Suzano nos dias que antecederam o anúncio da aquisição.
Não é a primeira vez que a CVM investiga o vazamento de informações em uma operação envolvendo a Petrobras neste ano. Em março, a autarquia iniciou investigações sobre a compra da Ipiranga.
O comunicado afirma ainda que serão reconhecidos os direitos da Unipar, da Petrobras e dos demais signatários do acordo de acionistas da Petroquímica União, Petroflex e Rio Polímeros de adquirir ações das mesmas empresas em decorrência da compra da Suzano pela Petrobras.
A Unipar atua com foco no eixo Rio-São Paulo e concentra seus principais ativos no Pólo Petroquímico de São Paulo, localizado na região do ABC, onde tem a Petroquímica União e Polietilenos União.
A empresa atua na produção de petroquímicos básicos e de resinas. Segundo a Unipar, a escolha da região Sudeste se deve à concentração do maior mercado consumidor de petroquímicos.
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