Dinheiro
13/08/2007 - 16h16

Bovespa segue mercado externo e opera quase estável; BCs liberam bilhões

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da Folha Online

O mercado brasileiro segue durante todo o dia a recuperação da cena externa, aliviado após a injeção de bilhões de dólares no sistema financeiro mundial por bancos centrais, para conter uma possível crise de liquidez (oferta de crédito). No fim do pregão, porém, a Bolsa brasileira perde fôlego e oscila perto da estabilidade, com realização de lucros.

O Ibovespa, indicador da Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo), recuava 0,52%, aos 52.536 pontos, às 16h05 --o índice chegou a subir 1,9% hoje. O volume financeiro é de R$ 2,41 bilhões. O dólar comercial é negociado a R$ 1,944 para venda, em queda de 0,35%. A taxa de risco-país, medida pelo indicador Embi+ (JP Morgan), marca 188 pontos, número 1,6% superior à última pontuação.

A turbulência das Bolsas mundiais tomou vulto na última semana, quando grandes instituições financeiras, tanto americanas quanto européias, assumiram dificuldades com fundos que aplicaram recursos nos problemáticos créditos imobiliários americanos.

Com o socorro dos bancos centrais, porém, os mercados voltaram a operar positivamente. Nos EUA, a Bolsa de Nova York sobe 0,39%. Na Europa, os principais pregões encerraram o expediente de hoje em território positivo, a exemplo de Londres (alta de 2,99%) e Paris (2,21%).

Desde a semana passada, o Federal Reserve (banco central dos EUA), o BCE (banco central da União Européia) e o Banco do Japão ofereceram ao mercado centenas de bilhões de dólares para evitar eventuais problemas de liquidez (oferta de crédito), provocados pelo temor quanto aos efeitos da crise no mercado de crédito de risco dos EUA.

Analistas de mercado, no entanto, não consideram a crise encerrada e salientam que ainda há espaço para turbulências de curto prazo.

Entenda

A tensão no mercado global e as quedas das principais Bolsas de valores do mundo começaram na semana passada, ao refletir a notícia de que o banco francês BNP Paribas havia congelado o saque de três de seus fundos de investimentos.

A instituição, uma das maiores da Europa, alegou dificuldades em contabilizar as reais perdas desses fundos, que tinham recursos aplicados em créditos gerados a partir de operações hipotecárias americanas. No mundo da globalização financeira, créditos gerados nos EUA podem ser convertidos em ativos que vão render juros para investidores na Europa.

Esses créditos imobiliários, chamados de "subprime" (de segunda linha), são gerados a partir empréstimos com tomadores que podem oferecer menos garantia. Embutem maior risco de crédito e por isso, têm juros maiores, o que os torna mais atrativos para gestores de fundos em busca de retornos melhores.

O mercado já monitorava há meses os problemas com esses créditos. Quando a inadimplência dessas operações superou as expectativas, empresa após empresa nos EUA relataram problemas de caixa. E o caso do Paribas sinalizou que esses problemas haviam atravessado as fronteiras.

Cyrela

As ações da CCP (Cyrela Commercial Properties) são negociadas com valorização de 17,5% no pregão desta segunda-feira da Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo). A empresa surgiu a partir da cisão da incorporadora Cyrela e é focada no investimento e locação de imóveis comerciais.

Os papéis da CCP começaram a ser negociados no segmento do Novo Mercado na sexta-feira, dia em que as Bolsas de Valores, sem exceção da Bovespa, caíram com os temores de uma possível crise de liquidez do sistema financeira. A turbulência somente foi aplacada pela intervenção maciça dos principais bancos centrais do planeta.

Com a cisão, cada acionista da Cyrela recebeu uma ação da CCP, na base de uma ação ordinária para cada novo papel. A CCP tem patrimônio correspondente a 11,7% do PL da Cyrella, o equivalente a R$ 228,3 milhões.

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