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Dinheiro
15/08/2007 - 10h12

Bovespa retrai 1,32%; dólar atinge R$ 2, maior nível desde maio

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da Folha Online

O mercado inicia os trabalhos desta quarta-feira sob efeito das más notícias da jornada anterior, que sinalizaram uma possível piora da crise dos créditos imobiliários "subprime" nos EUA. Ontem, o gigante do varejo mundial Wal-Mart contribuiu para elevar o nervosismo dos negócios ao rebaixar sua perspectiva de lucros para este ano.

O Ibovespa, índice da Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo), desvaloriza 1,32%, aos 50.237 pontos, nas primeiras operações desta quarta-feira. Ontem, a Bolsa brasileira fechou em queda de 2,90%.

A taxa de risco-país, medida pelo indicador Embi+ (JP Morgan), marca 201 pontos, um acréscimo de 2% sobre a pontuação final de ontem.

O dólar comercial é negociado a R$ 2 para venda, em alta de 0,80%, maior nível desde o dia 15 de maio. Ontem, a moeda americana foi cotada a R$ 1,985, um salto de 2,10%. Para analistas de mercado, o nível considerado alto das reservas internacionais do país (US$ 160 bilhões) deve contribuir para segurar a alta das taxas cambiais verificada nos últimos dias.

Nesta terça a rede Wal-Mart alegou que espera uma piora das condições financeiras de seus consumidores. Ontem, analistas viram essa declaração como um indício de que os problemas do sistema financeiros, às voltas com uma possível contração de crise de liquidez, começaram a se espalhar.

As Bolsas asiáticas fecharam em queda, com destaque para o pregão de Tóquio, que fechou em queda de 2,19%, chegando a 16.475,61 pontos, menor resultado final para um pregão desde 8 de dezembro. Os pregões europeus, que iniciaram seus trabalhos nesta manhã, também operam em território negativo.

Entre as primeiras notícias do dia, o governo americano divulgou que a inflação ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) teve variação de 0,1% em julho, abaixo das expectativas do mercado. O chamado "núcleo" do indicador, que exclui os preços mais voláteis em seu cálculo, teve variação de 0,2%, em linha com as projeções de analistas.

Os indicadores de preços dos EUA ganharam importância ainda maior principalmente após o Federal Reserve (o banco central local) ressaltar que a inflação continua a ser uma das variáveis mais importantes para a condução da política monetária.

Apesar de reafirmar a posição de que a economia brasileira tem fundamentos sólidos para enfrentar a tensão, o ministro Guido Mantega (Fazenda) disse estar apreensivo com a extensão da turbulência dos mercados financeiros internacionais.

Entenda

A tensão no mercado global e as quedas das principais Bolsas de valores do mundo começaram na semana passada, ao refletir a notícia de que o banco francês BNP Paribas havia congelado o saque de três de seus fundos de investimentos.

A instituição, uma das maiores da Europa, alegou dificuldades em contabilizar as reais perdas desses fundos, que tinham recursos aplicados em créditos gerados a partir de operações hipotecárias americanas. No mundo da globalização financeira, créditos gerados nos EUA podem ser convertidos em ativos que vão render juros para investidores na Europa.

Esses créditos imobiliários, chamados de "subprime" (de segunda linha), são gerados a partir empréstimos com tomadores que podem oferecer menos garantia. Embutem maior risco de crédito e por isso, têm juros maiores, o que os torna mais atrativos para gestores de fundos em busca de retornos melhores.

O mercado já monitorava há meses os problemas com esses créditos. Quando a inadimplência dessas operações superou as expectativas, empresa após empresa nos EUA relataram problemas de caixa. E o caso do Paribas sinalizou que esses problemas haviam atravessado as fronteiras.

Após o anúncio do banco, os principais bancos centrais do mundo --o BCE (Banco Central Europeu), o Federal Reserve (Fed, o BC americano) e o Banco do Japão-- injetaram bilhões de dólares em recursos para garantir a liquidez (oferta de crédito) dos respectivos sistemas bancários.

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