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Dinheiro
15/08/2007 - 17h44

Bovespa cai ao menor nível desde abril e dólar supera os R$ 2

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EPAMINONDAS NETO
da Folha Online

Os mercados enfrentaram nova jornada global de perdas, em um cenário marcado ainda pelas incertezas sobre o problema dos créditos imobiliários "subprimes" (maior risco) americanos. A Bolsa brasileira teve uma jornada atípica, em dia de vencimento de opções.

O Ibovespa, índice da Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo), encerrou o pregão desta quarta-feira com perdas de 3,19%, aos 49.285 pontos, a menor pontuação desde o dia 30 de abril deste ano e abaixo do patamar de 50.000 pontos. O volume financeiro atingiu R$ 18,4 bilhões, bem acima da média diária, inflado pelo vencimento de opções.

O dólar comercial foi negociado a R$ 2,030 para venda, um incremento de 2,26% sobre a cotação anterior de fechamento. A taxa de risco-país, medida pelo indicador Embi+ (JP Morgan), marcava 204 pontos, número 3,5% superior à pontuação final de ontem.

Na Ásia, a Bolsa de Tóquio recuou 2,19% e as ações voltaram aos níveis de preços de 8 meses atrás. Na Europa, os pregões de Londres e Paris cederam 0,565 e 0,66%, respectivamente. Nos EUA, a Bolsa de Nova York, a principal referência externa para os negócios no Brasil, retraiu 1,28%.

Solavancos

Por enquanto, ainda é possível encontrar analistas no mercado relativamente otimistas sobre a continuidade da crise. Para uma corrente do mercado, aparentemente majoritária, a Bolsa brasileira deve sofrer com os solavancos dos pregões americanos, mas vai se beneficiar de uma situação econômica mais confortável no médio prazo.

"Apesar de não acreditarmos em uma derrocada geral, o mercado deve piorar antes de melhorar", avalia o economista-chefe do banco Modal, Alexandre Póvoa, em relatório sobre a crise.

"Os bancos centrais mostraram que estão atentos ao problema, o que já traz uma tranquilidade maior. Ainda é cedo para falar em um contágio da economia global", afirma Álvaro Bandeira, diretor da corretora Ágora Senior.

Ontem, os investidores tomaram um "susto" quando a gigante do varejo mundial Wal-Mart rebaixou sua perspectiva de lucros para este ano, alegando que seus consumidores podem enfrentar dificuldades financeiras nos próximos meses. Para economistas de bancos e corretoras, foi o sinal vermelho para uma possível contaminação da economia "real" dos problemas enfrentados no sistema financeiro.

O alerta da Wal-Mart foi combinado com novas notícias de bancos e e gestores de investimentos congelando resgates de seus fundos, no princípio de uma crise de liquidez (contração de crédito) que, por enquanto, tem sido enfrentada com uma injeção de bilhões de dólares pelas autoridades monetárias das maiores economias do planeta. Hoje, por exemplo, o Federal Reserve (banco central americano) voltou à carga, com uma oferta de US$ 7 bilhões, para não deixar os bancos locais sem reservas.

O investidor brasileiro teve um motivo adicional de instabilidade. Hoje foi dia de vencimento de opções, contratos que negociam direitos de compra ou de venda sobre ativos financeiros (ações, commodities ou indicadores, negociados num mercado à vista).

Em dias de vencimento, o mercado à vista costuma ser afetado por ações de investidores, influenciando a dinâmica de negócios conforme interesse a alta ou a baixa do ativo para ter ganhos com a opção.

"O mercado está pressionado pelos vencimentos, havia muitos contratos em aberto. É um dia mais ou menos atípico na Bolsa", avalia Bandeira.

Entenda

A tensão no mercado global e as quedas das principais Bolsas de valores do mundo começaram na semana passada, ao refletir a notícia de que o banco francês BNP Paribas havia congelado o saque de três de seus fundos de investimentos.

A instituição, uma das maiores da Europa, alegou dificuldades em contabilizar as reais perdas desses fundos, que tinham recursos aplicados em créditos gerados a partir de operações hipotecárias americanas. No mundo da globalização financeira, créditos gerados nos EUA podem ser convertidos em ativos que vão render juros para investidores na Europa.

Esses créditos imobiliários, chamados de "subprime" (de segunda linha), são gerados a partir empréstimos com tomadores que podem oferecer menos garantia. Embutem maior risco de crédito e por isso, têm juros maiores, o que os torna mais atrativos para gestores de fundos em busca de retornos melhores.

O mercado já monitorava há meses os problemas com esses créditos. Quando a inadimplência dessas operações superou as expectativas, empresa após empresa nos EUA relataram problemas de caixa. E o caso do Paribas sinalizou que esses problemas haviam atravessado as fronteiras.

Após o anúncio do banco, os principais bancos centrais do mundo --o BCE (Banco Central Europeu), o Federal Reserve (Fed, o BC americano) e o Banco do Japão-- injetaram bilhões de dólares em recursos para garantir a liquidez (oferta de crédito) dos respectivos sistemas bancários.

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