Dinheiro
16/08/2007 - 08h27

Bolsas asiáticas caem com perdas em NY devido a crise de crédito

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da Folha Online

As Bolsas asiáticas fecharam em baixa nesta quinta-feira. A confiança dos investidores asiáticos caiu diante dos problemas vividos pelos mercados financeiros mundiais, afetados pela crise no mercado de crédito imobiliário de risco nos EUA.

Segundo analistas, as Bolsas asiáticas vêm registrando nos últimos dias perdas que não eram vistas desde a crise causada pelos atentados nos Estados Unidos, em 11 de setembro de 2001.

A Bolsa de Tóquio fechou em queda, com perda de 2,03% no índice Nikkei, que ficou com 16.148,49 pontos. A incerteza quanto ao tamanho do impacto que a crise no mercado de crédito nos EUA possa ter sobre o mercado financeiro e a economia asiáticos vêm afastando os investidores, segundo analistas.

Nesta quinta, o Banco Central do Japão (BOJ) voltou a injetar fundos no sistema financeiro para garantir liquidez (oferta de crédito). A autoridade monetária colocou 400 bilhões de ienes (US$ 3,3 bilhões) --na segunda-feira já tinha injetado 600 bilhões de ienes (US$ 5,1 bilhões) e, na sexta-feira anterior, 1 trilhão de ienes.

"A questão dos empréstimos 'subprime' não é um problema apenas deste setor, mas isso afeta muitos produtos financeiros relacionados, e o tamanho do possível estrago ou outros detalhes ainda não estão claros, e é isso que está deixando os investidores nervosos", disse à AP o estrategista-chefe do Credit Suisse, Shinichi Ichikawa.

A Bolsa de Seul fechou em queda de 6,93% devido a uma venda maciça causada pelo pânico das perdas em Wall Street, que sofre com a crise dos empréstimos hipotecários de risco nos Estados Unidos, ressaltaram os analistas. O índice Kospi fechou com 1.691,98, maior queda em pontos registrada em um só dia.

"Se houver uma retração do crédito no mercado financeiro doméstico devido aos efeitos dos mercados financeiros internacionais, o governo irá lidar com a questão injetando liquidez imediatamente", disse o vice-ministro das Finanças da Coréia do Sul, Kim Seok-Dong.

A Bolsa de Xangai teve queda de 2,1%, fechando com 4.765,45 pontos no índice Shanghai Composite. Foi a maior queda percentual desde a registrada no dia 1º deste mês (-3,8%). A crise nas Bolsas mundiais levou os investidores chineses a venderem papéis hoje, aproveitando para realizar lucros.

"A queda nos mercados globais de ações parece ter pesado na confiança, embora dificilmente haja qualquer ligação entre a China e o restante do mundo em termos de fluxos de capitais", disse à AP o analista da Guosen Securities Wang Junqing.

Segundo ele, os riscos da atual crise para a principal Bolsa chinesa são limitados, devido à expectativa de que as grandes empresas do país apresentem sólidos resultados referentes ao primeiro semestre. Mesmo com a queda de hoje, a Bolsa de Xangai já acumula valorização de 78% neste ano.

A Bolsa de Hong Kong fechou em queda de 3,3% nesta quinta-feira, com 20.672,39 pontos no índice Hang Seng (menor pontuação final desde 13 de junho), afetada pelo temor quanto aos efeitos da crise no mercado de crédito de risco nos EUA, que afetou outras Bolsas asiáticas.

Desde o dia 24 de julho, quando atingiu o recorde de 23.472 pontos, o Hang Seng já teve desvalorização de 12%. Segundo analistas, se não houver uma reversão do quadro de crise causada pelas hipotecas "subprime" (de alto risco) nos EUA, o índice pode perder ainda mais valor nas próximas semanas. "Os fundos [de investimentos] continuam a vender ativos devido à necessidade de dinheiro em meio ao recente aperto na liquidez", disse o estrategista da SHK Financial Castor Pang à agência de notícias Associated Press (AP).

A Bolsa da Nova Zelândia teve queda de 1,2%, fechando com 3.957,94 (quinta queda consecutiva); a Bolsa de Manila (Filipinas) fechou em queda de 6%; a Bolsa de Jacarta caiu 7,7%; a Bolsa de Taipé (Taiwan) teve baixa de 4,6%; a Bolsa de Cingapura fechou em queda de 3,7%; e a Bolsa de Mumbai (Índia) fechou em baixa de 3,9%.

EUA

As Bolsas americanas fecharam ontem em baixa, com o índice Dow Jones Industrial Average (DJIA) recuando para menos de 13 mil pontos, nível a que não voltava desde abril. Os negócios ainda vêm sendo afetados pela crise no mercado de hipotecas "subprime".
A Bolsa de Valores de Nova York encerrou a quarta-feira em ligeira baixa de 1,29%, operando com 12.861,47 pontos no DJIA, enquanto o S&P 500 caiu 1,39%, para 1.406,7 pontos. A Bolsa Nasdaq teve baixa de 1,61%, indo para 2.458,83 pontos.

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