Bovespa tem forte queda e dólar sobe 3% com piora de humor dos mercados
da Folha Online
A derrocada global das Bolsas e a disparada do dólar repercutem um fluxo contínuo de más notícias sobre a crise de liquidez (contração de crédito) no sistema financeiro, num efeito direto da crise dos créditos imobiliários "subprimes" americanos, aqueles gerados a partir empréstimos a tomadores com histórico de inadimplência.
O Ibovespa, indicador da Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo), sofre perdas de 0,86%, aos 48.861 pontos, nesta quinta-feira, em novo dia de turbulências nos mercados. Ontem, a Bolsa brasileira fechou em baixa de 3,53%.
As Bolsas asiáticas já fecharam, dando continuidade às fortes perdas da jornada anterior. O pregão de Tóquio teve baixa de 2,03%. Na Europa, os principais pregões também operam em território negativo.
O dólar comercial é negociado a R$ 2,091 para venda, em forte alta de 3%. Ontem, a taxa de câmbio foi de R$ 2,030 no encerramento, subindo 2,26% nos últimos negócios.
"Nesse momento de volatilidade, ressaltamos que o que pesa na decisão dos investidores é a parte psicológica e não os fundamentos. Contudo, continuamos a projetar uma taxa de câmbio de R$ 1,90 para o final do ano, o que cria boas oportunidades de venda para dólar acima de R$ 2", avalia a corretora Spinelli, em boletim diário sobre os mercados.
A taxa de risco-país, medida pelo índice Embi+ (JP Morgan), marca 216 pontos, um salto de 5,88% sobre a pontuação final de ontem.
Hoje, o jornal "Financial Times", referência mundial no acompanhamento de assuntos econômicos, trouxe comentário que contraria o discurso das autoridades brasileiras e de uma parte do mercado, que aponta o Brasil como relativamente "blindado" contra as turbulências globais. Segundo o periódico britânico, uma parte dos investidores já começou a considerar os ativos brasileiros "são mais arriscados do que eles pensavam".
Ontem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que as reservas internacionais do país são um motivo para "ficar tranqüilo". Ele também negou que as turbulências provocadas pela crise das hipotecas do mercado imobiliário norte-americano contagiem a economia brasileira.
Uma parte do mercado brasileiro também espera que os fundamentos econômicos do país concorram para que os grandes investidores globais separem "o joio do trigo", isto é, considerem o Brasil como um lugar menos arriscado para manter ou aplicar recursos na comparação com o restante das economias emergentes.
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