Dinheiro
16/08/2007 - 14h04

Quedas se aprofundam em NY com Countrywide e crise de crédito

Publicidade

da Folha Online

O anúncio de que a financiadora imobiliária Countrywide Financial --maior empresa do setor de hipotecas dos EUA-- fez um empréstimo de US$ 11,5 bilhões para enfrentar um problema de liquidez ampliou os temores dos investidores quanto à crise no mercado de crédito no país e aprofundou as perdas nas Bolsas em Wall Street hoje.

Às 14h02 (em Brasília), a Bolsa de Valores de Nova York estava em queda de 2,46%, operando com 12.545,09 pontos no índice Dow Jones Industrial Average (DJIA), enquanto o S&P 500 caía 2,33%, para 1.373,94 pontos. A Bolsa Nasdaq tinha queda de 2,71%, indo para 2.392,14 pontos.

A Countrywide Financial tomou o empréstimo para reforçar sua liquidez (oferta de dinheiro) e mover suas operações no mercado de hipotecas para sua divisão bancária, o Countrywide Bank. A medida foi vista como sinal de que a crise no mercado de hipotecas é grave mesmo entre as maiores empresas do setor.

A corretora Merrill Lynch reduziu ontem a classificação dos papéis da Countrywide de "compra" para "venda" e informou que a venda forçada de ativos nos mercados de capitais poderia levar a mais problemas para a empresa financiar suas operações de hipoteca. "Se a liquidação [de ativos] ocorrer em um mercado fraco, então é possível que [a Countrywide] peça concordata", disse o analista da corretora Kenneth Bruce.

O mercado financeiro ignorou a disponibilização de mais US$ 17 bilhões por parte do Federal Reserve (Fed, o BC americano) para reforçar a liquidez do sistema bancário. Com a intervenção de hoje, o banco já liberou US$ 88 bilhões para o sistema.

"A preocupação é quão ruim são os problemas do mercado, e todos estão esperando que o Fed faça um corte agressivo de juros", disse à agência de notícias Associated Press (AP) o estrategista de investimentos da Leeb Capital Management Peter Dunay. "O Fed não está ansioso para cortar os juros toda vez que o mercado tiver queda."

O presidente do Federal Reserve de St. Louis (uma das 12 divisões regionais do Fed), William Poole, disse ontem, no entanto, que o não é necessário que o banco considere modificar sua taxa de juros antes da reunião de política monetária do Fed, programada para setembro. A taxa atual do banco é de 5,25% ao ano.

O mercado imobiliário continua a apresentar dados preocupantes: o Departamento do Comércio informou hoje que a construção de casas nos EUA teve queda de 6,1% em julho, atingindo uma taxa anualizada de 1,38 milhão de unidades. O resultado é 20,9% inferior em relação ao registrado um ano antes e é o mais lento desde janeiro de 1997.

Acompanhe as notícias em seu celular: digite wap.folha.com.br

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca