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Dinheiro
16/08/2007 - 14h15

Bovespa retrai 8,29%, em queda histórica; dólar bate R$ 2,13

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da Folha Online

Os problemas da maior economia do planeta, os EUA, determinam um dia de quedas históricas nas principais Bolsas do mundo e arrastam o mercado brasileiro. As turbulências dos últimos dias, que se acentuam hoje, já estão perto de zerar todo o ganho das ações deste ano no Brasil, que estão em 10,8%.

O Ibovespa, principal indicador da Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo), enfrenta perdas de 8,29%, aos 45.200 pontos. Considerado um termômetro dos negócios, o indicador recua para seu menor nível desde 28 de março, o que já aponta para uma derrocada ainda pior que a causada pelas turbulências de fevereiro, provocada pelo chamado "efeito China". O volume financeiro é bastante alto, com giro de R$ 4,70 bilhões.

O dólar comercial é negociado a R$ 2,130 para venda, com avanço de 4,92%. Trata-se do preço mais alto para a moeda americana desde 5 de março. A taxa de risco-país, medida pelo indicador Embi+ (JP Morgan), marca 230 pontos, um salto de 12,7%, o maior desde 27 de junho de 2006.

A má notícia da vez é protagonizada pela empresa americana Countrywide Financial, maior financiadora imobiliária dos EUA, que foi obrigada a tomar US$ 11,5 bilhões para se prevenir contra uma possível falta de crédito na praça. Ontem, o banco de investimentos Merrill Lynch já havia rebaixado sua recomendação para as ações da empresa.

Entre outras notícias, o Departamento do Comércio dos EUA informou que a construção de casas teve queda de 6,1% em julho, caindo para uma taxa anualizada de 1,38 milhão de unidades --uma redução de 20,9% em relação ao mesmo mês de 2006 e a mais baixa taxa desde janeiro de 1997.

Nos EUA, as Bolsas também têm queda expressiva. Às 14h02 (em Brasília), a Bolsa de Valores de Nova York estava em queda de 2,46%, operando com 12.545,09 pontos no índice Dow Jones Industrial Average (DJIA), enquanto o S&P 500 caía 2,33%, para 1.373,94 pontos. A Bolsa Nasdaq tinha queda de 2,71%, indo para 2.392,14 pontos.

Entenda a crise

Os mercados ao redor do mundo estão preocupados com o setor imobiliário nos Estados Unidos. O medo principal é sobre a oferta de crédito disponível no sistema financeiro, já que, há algumas semanas, foi detectada uma alta inadimplência do segmento chamado "subprime" (de segunda linha) --engloba pessoas com histórico de inadimplência e que, por conseqüência, podem oferecer menos garantia de pagamento.

Como esses empréstimos "subprime" embutem maior risco de crédito, eles têm juros maiores, o que os torna mais atrativos para gestores de fundos em busca de retornos melhores. Estes gestores, assim, ao comprar tais títulos das instituições que fizeram o primeiro empréstimo, permitem que um novo montante de dinheiro seja novamente emprestado, antes mesmo do primeiro empréstimo ser pago.

Também interessado em lucrar, um segundo gestor pode comprar o título adquirido pelo primeiro, e assim por diante, gerando uma cadeia de venda de títulos.

Porém, se a ponta (o tomador) não consegue pagar sua dívida inicial, ele dá início a um ciclo de não-recebimento por parte dos compradores dos títulos. O resultado: todo o mercado passa a ter medo de emprestar e comprar os "subprime", o que termina por gerar uma crise de liquidez (retração de crédito).

No mundo da globalização financeira, créditos gerados nos EUA podem ser convertidos em ativos que vão render juros para investidores na Europa e outras partes do mundo, por isso o pessimismo influencia os mercados globais.

O estopim para a tensão mundial foi justamente uma notícia vinda da Europa, de que o banco francês BNP Paribas, um dos principais da região, havia congelado o saque de três de seus fundos de investimentos que tinham recursos aplicados em créditos gerados a partir de operações hipotecárias nos EUA. A instituição alegou dificuldades em contabilizar as reais perdas desses fundos.

O mercado já monitorava há meses os problemas com esses créditos imobiliários. Quando a inadimplência dessas operações superou as expectativas, empresa após empresa nos EUA relataram problemas de caixa. E o caso do Paribas sinalizou que esses problemas haviam atravessado as fronteiras.

Para socorrer os mercados financeiros e garantir que eles tivessem dinheiro para emprestar, os principais bancos centrais do planeta --o BCE (Banco Central Europeu), o Federal Reserve (Fed, o BC americano) e o Banco do Japão, além de entidades da Austrália, Canadá e Rússia-- intervieram e liberaram bilhões de dólares em recursos aos bancos. O medo é que com menos crédito disponível, caia o consumo e o diminua o crescimentos das economias.

Como a crise americana provoca aversão ao risco, os investidores em ações preferem sair das Bolsas, sujeita a oscilações sempre, e aplicar em investimentos mais seguros. Além disso, os estrangeiros que aplicam em mercados emergentes, como o Brasil, vendem seus papéis para cobrir perdas lá fora. Com muita gente querendo vender --ou seja, oferta elevada--, os preços dos papéis caem.

Nesse movimento, as 316 maiores empresas brasileiras de capital aberto, por exemplo, perderam US$ 209,7 bilhões em valor de mercado desde 19 de julho, dia em que o Ibovespa atingiu sua pontuação máxima. O levantamento, feito pela consultoria Economática, leva em conta os números até o fechamento de quarta-feira (15), quando o índice caiu mais de 3% e voltou a operar abaixo de 50.000 pontos.

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