Empresa de hipotecas nos EUA encerra operações e pode pedir concordata
da Folha Online
A empresa de hipotecas First Magnus Financial anunciou nesta quinta-feira que interrompeu a realização de novos contratos de crédito e que pode ter de pedir concordata.
No site da empresa na internet, um comunicado dizia que, "à luz do colapso no mercado secundário de hipotecas [[de alto risco, conhecidas como "subprime"] a First Magnus não irá realizar mais nenhum empréstimo hipotecário e não está mais aceitando nenhum tipo de hipoteca". "Exploramos todas as opções antes de tomar essa decisão, mas não nos foi deixada nenhuma alternativa viável", diz o comunicado.
Segundo a publicação americana especializada no setor de hipotecas "Inside Mortgage Finance", a First Magnus ficou em 16º lugar entre as principais empresas do mercado hipotecário no primeiro semestre deste ano.
O gerente da Great Southwest Mortgage --a divisão de varejo da First Magnus-- Ron Briskman disse ao jornal americano "Arizona Star Daily" que não está certo do que vai acontecer após a suspensão de novos negócios, mas que "bem pode ser que a empresa entre no 'Chapter 11' [o capítulo da legislação americana que regulamenta as falências e concordatas]".
A First Magnus, fundada em julho de 1996, atuava em todo o país e realizou mais de US$ 30 bilhões em contratos de crédito hipotecário em 2006 e cerca de US$ 17 bilhões no primeiro semestre deste ano. Tinha mais de 300 escritórios no país e cerca de 5.000 funcionários.
Mais de 70 empresas de hipoteca nos EUA já encerraram suas operações ou procuraram compradores desde 2006 --entre elas a New Century Financial (especializada em hipotecas de risco) e a American Home Mortgage (a 10ª maior empresa do setor no país).
Hoje, a Countrywide Financial, maior financiadora imobiliária dos EUA, tomou um empréstimo de US$ 11,5 bilhões para reforçar sua liquidez (oferta de dinheiro) e mover suas operações no mercado de hipotecas para sua divisão bancária, o Countrywide Bank.
As ações da Countrywide chegaram a cair 19% ontem, com os rumores de que a empresa não conseguiu obter recursos no mercado de "commercial papers" --nota promissória emitida por uma empresa para captar recursos de curto prazo (em média, de 30 dias). Os "commercial papers" são um recurso à disposição principalmente de empresas consideradas pelas agências de classificação como de baixo risco.
A corretora Merrill Lynch reduziu ontem a classificação dos papéis da Countrywide de 'compra' para 'venda'. Em nota, a Merrill Lynch informou que a venda forçada de ativos nos mercados de capitais poderia levar a mais problemas para a empresa financiar suas operações de hipoteca. "Se a liquidação [de ativos] ocorrer em um mercado fraco, então é possível que [a Countrywide] peça concordata", disse o analista da corretora Kenneth Bruce.
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