Federal Reserve reduz taxa de desconto para tranquilizar mercados
da Folha Online
O Federal Reserve (Fed, o BC americano) reduziu nesta sexta-feira sua taxa de descontos em 0,5 ponto percentual, para 5,75%. A taxa é a utilizada pelo Fed em empréstimo de recursos de curto prazo para bancos com dificuldades financeiras.
Quando a taxa é aumentada, os bancos têm que elevar as taxas que cobram para cobrir o aumento do custo do seu empréstimo. Do mesmo modo, quando a taxa de juro é baixada, os bancos têm a possibilidades de cobrar taxas de juro mais baixas nos seus empréstimos.
O Fed interveio no mercado na última semana, com a liberação de US$ 88 bilhões para o sistema bancário, a fim de evitar uma crise de liquidez. O temor era de que a atual crise no mercado de crédito imobiliário de risco no país causasse uma corrida de clientes aos bancos para retirarem seu dinheiro. O movimento do Fed, no entanto, teve pouco efeito --as Bolsas americanas e mundiais vêm sofrendo quedas a cada dia devido à crise.
"As condições do mercado financeiro se deterioraram e condições mais estritas para concessão de crédito e um aumento da incerteza tem potencial para restringir o crescimento econômico", informou em comunicado o Fed. "Nessas circunstâncias, embora os dados recentes sugiram que a economia tenha continuado a se expandir em um ritmo moderado, o Fomc [Comitê Federal de Mercado Aberto, na sigla em inglês, equivalente ao Copom no Brasil] julga que os riscos de baixa ao crescimento cresceram consideravelmente."
O Fed informou ainda que está preparado para agir como necessário para "atenuar os efeitos adversos sobre a economia surgidos das turbulências nos mercados financeiros."
A taxa básica do Fed, a dos fundos federais --principal taxa da política monetária americana, que afeta os juros cobrados sobre o crédito a empresas e clientes pelos bancos--, se manteve em 5,25% (patamar em que vem sendo mantida desde o ano passado).
Segundo analistas ouvidos pelo diário americano "The Wall Street Journal", a decisão é um sinal de que o Fed pode vir a reduzir em breve a taxa básica, se a crise causada pelos problemas no segmento de crédito imobiliário de risco nos EUA se aprofundar.
A Bolsa de Valores de Nova York, que no dia 19 do mês passado fechou pela primeira vez acima dos 14 mil pontos, recuou nesta semana para menos de 13 mil. Na Ásia e na Europa a crise também tem provocado recuos expressivos.
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