Setor industrial planeja investir mais em 2007, informa FGV
da Folha Online
A maioria das empresas do setor industrial planeja investir mais em 2007, segundo a pesquisa "Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação", da FGV (Fundação Getulio Vargas), divulgada nesta segunda-feira.
A pesquisa foi feita com base em informações fornecidas pelas empresas em julho deste ano --antes, portanto, das turbulências vistas nos mercados financeiros mundiais, ocasionadas pelos problemas no mercado de crédito imobiliário de risco nos EUA.
Segundo a pesquisa, das 688 empresas consultadas quanto montante de investimentos produtivos realizados em 2006 e programados para 2007, 414 (60,2% do total) programam gastos superiores aos realizados em 2006, em termos reais.
Como proporção das vendas, o volume de investimentos cresceu em média de 3,5% para 4,1%. Em termos agregados, a relação investimentos/vendas teve um recuo de 9,3% em 2006 para 8,9% neste ano, refletindo uma disposição menor de grandes empresas para investir em gêneros como celulose e papel, alimentos e mecânica.
Apesar da redução em valores absolutos, mesmo nestes segmentos o resultado não chega a ser inteiramente desfavorável: a proporção de empresas que prevêem investir mais do que investiram no ano passado é, respectivamente, de 47,7%, 55,3% e 67,5%.
Em 15 dos 21 segmentos industriais pesquisados pela FGV, o investimento previsto para 2007 supera o realizado no ano passado.
A pesquisa mostra também que vêm crescendo os gastos com ampliação e reformas das instalações industriais nos dois últimos anos. Em 2005, segundo dados apurados em julho do ano passado, esses investimentos representaram 31% do total, em média. Já a pesquisa deste ano mostrou que em 2006 essa proporção teria saltado a 48%. Nas projeções feitas na mesma ocasião para este ano, reduziram-se para 44%.
Entre 2005 e 2006, houve diminuição relativa dos investimentos destinados às outras finalidades: os gastos com máquinas e equipamentos nacionais, que haviam representado 27% dos investimentos, em média, no ano de 2005, passaram a representar 22% no ano passado. Os gastos com máquinas estrangeiras reduziram-se de 15% para 13% e os gastos com a construção de novas fábricas de 15% para 6%.
Nas previsões feitas em julho de 2006 para este ano, os gastos médios com máquinas e equipamentos nacionais elevaram-se de 22% para 25%, mesmo com a valorização do real ocorrida no ano passado e durante o primeiro semestre deste ano. Os gastos com máquinas e equipamentos estrangeiros previstos para este ano representam 12% --contra 13% de 2006. A previsão de gastos médios com construção de novas fábricas subiu de 6% para 7%.
Investimento por semestre
Em julho, 38% das empresas consultadas afirmaram ter investido mais no primeiro semestre deste ano do que o fizeram no semestre imediatamente anterior, enquanto 21% disseram ter investido menos. Na pesquisa feita em abril, 34% das empresas previam aumentar os investimentos no primeiro semestre e 21% investir menos.
Para o segundo semestre de 2007, a sinalização dada em julho é de novo avanço: 42% das empresas prevêem investir mais e 19% programam investir menos. Em abril, 34% pretendiam gastar mais e 14% menos no segundo semestre.
As previsões para o segundo semestre de 2007 são mais favoráveis para os produtores de bens intermediários. Nos segmentos de bens de capital e de materiais de construção, há uma desaceleração dos investimentos. O conjunto de resultados mostra haver uma relação entre os segmentos que estão com o nível de utilização da capacidade elevado e os que estão com maior ímpeto para investir.
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