Banco central da China eleva taxa de juros pela quarta vez no ano
da Folha Online
O Banco do Povo da China (banco central chinês) elevou nesta terça-feira sua taxa de juros para empréstimos em 0,18 ponto percentual, para 7,02%. A medida pretende conter a inflação no país --os preços ao consumidor na China acumularam alta de 5,6% entre janeiro e julho, maior patamar desde 1997.
O banco também elevou a taxa que os bancos pagam por depósitos de um ano em 0,27 ponto percentual, para 3,60%. As altas passam a ter efeito nesta quarta-feira (22). A medida também procura incentivar os clientes a manterem seu dinheiro no banco, ao invés de retirá-lo para aplicar no mercado de ações.
"O Banco do Povo da China está preocupado com a queda das taxas de depósitos para aplicação em ações", disse à agência de notícias Reuters o economista do Royal Bank of Scotland em Hong Kong Ben Simpfendorfer.
Segundo o analista da Guosen Securities em Pequim Lin Songli, a decisão do banco de elevar a taxa de depósitos mais que a de empréstimos é um sinal de que o governo chinês não tem como meta principal reduzir o ritmo de crescimento da economia chinesa --o PIB (Produto Interno Bruto) chinês teve expansão (anualizada) de 11,5% no primeiro semestre deste ano. No segundo trimestre, o crescimento foi de 11,9%.
"A medida tem como alvo principal a inflação, e as autoridades do país devem ter chegado ao entendimento de que o crescimento dos investimentos não é um problema tão grande", disse Songli à Reuters.
A medida foi anunciada após o fechamento da Bolsa de Xangai --que subiu 1% hoje, fechando com 4.955,21 pontos, resultado recorde. O temor entre os investidores de uma nova alta de juros vinham diminuindo, "já que não houve nenhum anúncio de aperto na política monetária no fim de semana", disse à agência de notícias Associated Press o analista da CSC International Holdings Zhang Yuheng.
A expectativa para esta quarta-feira é de que as ações dos bancos tenham queda, com a entrada em vigor das medidas.
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