Bolsa de Xangai bate novo recorde apesar de alta de juros
da Folha Online
A Bolsa de Xangai fechou em alta nesta quarta-feira, com nova pontuação recorde --a segunda consecutiva. A notícia de uma elevação das taxas de juros no país não conseguiu refrear o ânimo dos investidores para comprar ações hoje.
O índice Shanghai Composite teve alta de 0,5% e fechou com 4.980,08 pontos. Durante o pregão, o índice chegou a cair 1,9%. Na segunda-feira, a Bolsa chinesa fechou em alta de 5,3%, maior ganho percentual em um único dia nos últimos dois anos. A Bolsa de Shenzhen fechou em alta de 1,7%, também com pontuação recorde --1.398,37 pontos.
"Os investidores estão ficando acostumados com as elevações das taxas e, assim, ficam menos impressionados com tais notícias", disse à agência de notícias Associated Press (AP) o estrategista da United Securities Yang Weicong.
Ontem, o Banco do Povo da China (banco central chinês) elevou sua taxa de juros para empréstimos em 0,18 ponto percentual, para 7,02%. A medida pretende conter a inflação no país --os preços ao consumidor na China acumularam alta de 5,6% entre janeiro e julho, maior patamar desde 1997.
O banco também elevou a taxa que os bancos pagam por depósitos de um ano em 0,27 ponto percentual, para 3,60%. As altas passam a ter efeito nesta quarta-feira (22). A medida também procura incentivar os clientes a manterem seu dinheiro no banco, ao invés de retirá-lo para aplicar no mercado de ações.
"A alta das taxas não vai afetar o interesse por ações porque o retorno dos depósitos em banco ainda não é atrativo, devido à inflação", disse à AP o analista da Essence Securities Zhu Haibin.
A Bolsa de Hong Kong teve alta de 2,8%, fechando com 22.346,88 pontos no índice Hang Seng. A reunião de ontem entre o senador e presidente do Comitê Bancário do Senado dos EUA Christopher Dodd, o secretário do Tesouro, Henry Paulson, e o presidente do Federal Reserve (Fed, o BC americano), Ben Bernanke, animou os investidores.
Dodd, pediu nesta terça-feira ao presidente do Federal Reserve (Fed, o BC americano), Ben Bernanke, que use 'todas as ferramentas disponíveis' para que a atual crise no mercado de crédito de risco nos EUA não atinja a economia como um todo.
Dodd, que é pré-candidato democrata à presidência dos EUA, pediu a Bernanke que use "todas as ferramentas disponíveis" para que a atual crise no mercado de crédito de risco nos EUA não atinja a economia como um todo. O senador disse, no entanto, que não pediu especificamente que Bernanke propusesse uma redução na taxa dos fundos federais, a principal da política monetária americana, hoje em 5,25% ao ano.
Na semana passada, o Fed reduziu sua taxa de redesconto (utilizada pelo Fed em empréstimo de recursos de curto prazo para bancos com dificuldades financeiras) em 0,5 ponto percentual, para 5,75%. A medida teve efeito na sexta-feira (17), quando as Bolsas americanas fecharam com valorizações próximas a 2%. Nesta semana, no entanto, os ganhos em Wall Street ficaram mais moderados, enquanto os investidores esperam que o Fed reduza a taxa dos fundos federais.
Um corte nessa taxa levaria os bancos a reduzir suas taxas de empréstimo a seus clientes. Dodd disse que, apesar de uma redução na taxa poder gerar efeitos positivos sobre a economia, ele enfatizou que não há pressão política sobre o Fed para tal medida.
O índice Nikkei 225, da Bolsa de Valores de Tóquio, fechou o pregão de hoje praticamente estável, com variação negativa de 0,01%, para 15.900,64 pontos. O índice teve correção hoje, depois de duas sessões com fortes altas enquanto os investidores aguardam a conclusão da reunião de política monetária do Banco do Japão.
Até o início da onde de turbulências nos mercados financeiros mundiais, a expectativa dos analistas era de que o banco iria elevar sua taxa de juros --a taxa atual é de 0,5% ao ano.
A Bolsa de Valores de Seul (Coréia do Sul) fechou o pregão de hoje com o índice Kospi subindo 1,34%, para 1.759,50 pontos, enquanto o índice de valores tecnológicos Kosdaq subiu 1,86%, para 741,43.
A Bolsa de Bancoc (Tailândia) fechou em alta de 2,6%, com 784,43 pontos; a Bolsa de Jacarta (Indonésia) registrou alta de 3,5%, fechando com 2.062,99 pontos; a Bolsa de Kuala Lumpur (Malásia) subiu 1,9%, ficando com 1.255,39 pontos; a Bolsa de Mumbai (Índia) fechou em alta de 1,9% e ficou com 14.249 pontos; a Bolsa de Cingapura teve alta de 2,9% e fechou com 3.321,50 pontos; e a Bolsa de Taipé subiu 0,2%, para 8.493,46 pontos.
A Bolsa de Sydney (Austrália) fechou em alta de 0,3%, ficando com 6.005 pontos e a Bolsa de Wellington (Nova Zelândia) teve alta de 0,1%, fechando com 4.033,27 pontos.
A Bolsa de Manila (Filipinas) foi a exceção entre as asiáticas, fechando em queda de 0,9%, com 3.139,46 pontos (ontem a Bolsa filipina teve alta de 9,8% maior avanço percentual em um único dia em mais de seis anos).
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