Dinheiro
22/08/2007 - 20h26

Hidrelétrica de Belo Monte será licitada em 2009, diz Zimmermann

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DIANA BRITO
Colaboração para a Folha Online, no Rio

O governo prevê investir R$ 7 bilhões na usina hidrelétrica de Belo Monte, prevista para entrar em operação em 2011, no rio Xingu, no Pará. Com capacidade de produção de 11.181 MW, a unidade será licitada em 2009 e o leilão poderá ser feito em duas etapas, sendo que a primeira fase seria de 5.500 MW.

A informação é do secretário de Planejamento Energético do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, dada durante um seminário de energia promovido, nesta quarta-feira, na FGV (Fundação Getúlio Vargas), no Rio.

"Vamos iniciar, no ano que vem, o processo de licenciamento e pretendemos licitar a usina de Belo Monte, em 2009. Seria uma licitação nos moldes do que foi feito com Tucuruí [Pará]", afirmou Zimmermann.

A licitação de Belo Monte e de outras usinas, como Santo Antonio e Jirau, no rio Madeira, fazem parte de uma estratégia do governo para evitar a expansão da energia térmica no país, que é mais cara e mais poluente que a energia hídrica.

Segundo o secretário do ministério de Minas e Energia, um estudo está sendo desenvolvido para a construção de uma binacional, na fronteira com a Argentina.

"Estamos entrando numa etapa em que a Eletrobrás e Ebisa, da Argentina, estão desenvolvendo estudos de viabilidade da usina. Os estudos estarão prontos em trinta meses e o tratado inicial era para uma usina de 1.880 MW", declarou Zimmermann.

Ele também pontuou o processo de "termificação" ocorrido no país, nos últimos anos, uma vez que 30% da energia nova licitada era térmica e 34 % de origem hídrica "Estamos num processo de termificação da matriz. O quadro preocupa. Não vai faltar luz, mas não é a melhor energia que vai garantir o fornecimento", alertou Zimmermann.

O governo estuda a viabilidade da ordem de 30 mil MW para novos projetos hidrelétricos no Brasil. "A expansão hídrica tem que ser de 70% e a térmica de 30% ao ano. Hoje, ainda há folga, porque a probabilidade de despachar as térmicas contratadas é de 7% do tempo. Temos gordura para queimar, mas se o processo continuar as térmicas vão ter que gerar por mais tempo e isso será mais caro para o país", disse o secretário.

Energia nuclear

Márcio Zimmermann afirmou que o Ministério de Minas e Energia já começou a estudar os locais onde serão construídas as novas usinas nucleares previstas no Plano Nacional aprovado pelo CNPE (Conselho Nacional de Política Energética).

O Plano prevê a construção de quatro a oito novas centrais nucleares no país até 2030, além da usina nuclear de Angra 3. "Há sinalizações que vem do passado que a região nordeste seria uma alternativa grande devido ao esgotamento do potencial hidrelétrico. Tudo isso vai ser melhor discutido agora. Depende do potencial de cada local", apontou Zimmermann.

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