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Dinheiro
27/08/2007 - 13h39

Crise ameaça economia dos EUA mais que terrorismo, diz pesquisa

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VINICIUS ALBUQUERQUE
da Folha Online

A inadimplência nos créditos de risco e o excesso de endividamento de empresas e consumidores americanos representam, combinados, uma ameaça maior ao cenário econômico de curto-prazo dos EUA que a representada pelo temor de um novo atentado terrorista, segundo pesquisa divulgada nesta segunda-feira pela Nabe (Associação Nacional de Economistas de Empresas, na sigla em inglês).

Segundo a pesquisa, 35% dos economistas entrevistados pela Nabe apontaram a combinação da inadimplência e do endividamento excessivo como o maior risco à economia americana no curto prazo, contra 20% dos que citaram a ameaça de um ataque terrorista contra os EUA (a inadimplência foi citada por 18% dos entrevistados e o endividamento, por 14%).

O endividamento já figurava na pesquisa anterior, realizada em março; à época, foi citada por 13% dos entrevistados. Já a ameaça do terrorismo foi citada por 35% à época. A inadimplência ainda não figurava entre os itens da pesquisa de março.

"A turbulência nos mercados financeiros mudou o foco do terrorismo para os créditos 'subprime' [de maior risco] e outros problemas de crédito como as maiores ameaças de curto prazo para a economia dos EUA", disse o presidente da Nabe e economista-chefe do La Salle/ABN Amro, Carl Tannenbaum. "No entanto, essas preocupações parecem ser algo transitórias, já que o cenário para os próximos cinco anos ainda é positivo."

Para os próximos cinco anos a expectativa para o mercado imobiliário é que os preços dos imóveis subam. Segundo a pesquisa, 41% dos entrevistados disseram que os preços dos imóveis residenciais no país subam, contra 16% que prevêem uma queda.

Hoje, no entanto, a Associação Nacional dos Corretores de Imóveis informou que o preço médio de um imóvel usado no país no mês passado ficou em US$ 228.900, 0,6% abaixo do registrado um ano antes (US$ 230.200). A queda de preço foi a 12ª consecutiva na comparação anual. As vendas de casas usadas, por sua vez, caíram 0,2% em julho.

A pesquisa foi realizada entre os dias 24 de julho e 14 deste mês, junto a 258 membros da associação.

Créditos de risco

O mercado imobiliário americano encontra-se em meio a uma crise causada pelo aumento na inadimplência no segmento de hipotecas de risco nos EUA. Com o temor de que a crise no crédito no país afete as condições de concessão de financiamentos e novas linhas de crédito não só para consumidores, mas também para empresas, o mercado financeiro vinha registrando acentuadas quedas.

Arte Folha

No dia 9 teve início a onda de turbulência e incerteza que ainda permanece no mercado financeiro: o banco francês BNP Paribas congelou resgates em três fundos, alegando dificuldades em avaliar os fundos devido a seus investimentos em papéis ligados ao mercado de crédito de risco nos EUA. Desde então, bancos centrais no mundo inteiro vêm injetando recursos em seus sistemas bancários para evitar que uma eventual corrida para saques provoque uma crise de liquidez (oferta de dinheiro).

O Federal Reserve (Fed, o BC americano) vem liberando recursos para o sistema bancário desde o dia 9 (até agora, as intervenções do Fed chegaram a cerca de US$ 130 bilhões), mas essa linha de ação tem causado efeitos mínimos na restauração da confiança dos investidores. No dia 17, no entanto, o banco reduziu sua taxa de redesconto (usada pelo Fed para conceder empréstimos de curto prazo a instituições com escassez temporária de liquidez causada por problemas internos ou externos) e com isso as perdas que vinham sendo observadas em Wall Street (entre 2% e 3%) foram contidas.

Longo prazo

A pesquisa da Nabe mostrou também que o maior desafio para a economia americana no longo prazo vem do aumento nos gastos com saúde --24% dos entrevistados citaram esse item como fator de maior risco. O envelhecimento da população veio em segundo lugar nessa consideração, citado por 21% dos entrevistados.

Ontem, o ex-secretário americano ao Tesouro Larry Summers disse que o risco de recessão nos Estados Unidos atualmente é o mais alto desde 2001. Segundo ele, ainda é cedo para afirmar que a crise causada pelos créditos de risco foi superada. "Constatamos esta semana o início de um retorno ao normal, mas acredito que ainda é cedo para considerar que a crise foi superada", afirmou Summers em declarações ao canal de TV ABC.

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