Dinheiro
29/08/2007 - 09h58

Desemprego fica estável e renda cai em SP em julho, diz Dieese

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DEISE DE OLIVEIRA
da Folha Online

O desemprego na região metropolitana de São Paulo ficou praticamente estável, em 15%, em julho, após registrar taxa de 14,9% em junho, segundo pesquisa da Fundação Seade e do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) divulgada nesta quarta-feira.

O resultado é o melhor patamar para julho desde 1995, quando o índice foi de 13,1%, mas interrompe uma seqüência de dois meses de queda. Em julho de 2006, a taxa era de 16,7%.

Já a taxa de desemprego em seis regiões metropolitanas do país --Belo Horizonte, Distrito Federal, Porto Alegre, Recife, Salvador e São Paulo-- teve ligeira queda para 15,7% julho, ante taxa de 15,9% em junho, segundo os mesmos dados da PED (Pesquisa de Emprego e Desemprego).

No mês passado, o contingente de desempregados nas seis regiões foi estimado em 3,043 milhões de pessoas, 27 mil a menos que em junho. As ocupações geradas (45 mil) foram em quantidade suficiente para absorver a entrada de pessoas no mercado de trabalho (18 mil).

Já o número de ocupados nas seis regiões foi calculado em 16,279 milhões de pessoas, e a PEA (População Economicamente Ativa) em cerca de 19,322 milhões.

Houve redução na taxa de desemprego total em relação a junho na maioria das regiões: em Salvador, o recuo foi de 2,3% para 21,5%; em Belo Horizonte, de 3,1% para 12,3%; no Distrito Federal, de 2,2% para 17,7%; em Recife, de 1% para 20,3%; e em Porto Alegre, de 4,2% para 13,8%. Apenas em São Paulo, a taxa teve leve alta de 0,7%, aos 15%.

O resultado em São Paulo acabou pressionando o desempenho total nas seis regiões metropolitanas e impediu que o recuo no desemprego fosse maior que 1,3%, aos 15,7%, segundo o diretor de pesquisas do Seade, Sinésio Pires Ferreira.

"A expectativa era da manutenção da redução da taxa em julho. Nos últimos quatro anos, a taxa de desemprego cai em julho em relação a junho. Neste ano, isso não ocorreu. Mas a expectativa é de que retome o ciclo de queda com o aquecimento da economia para o final do ano", disse Ferreira, sem saber identificar, no entanto, os motivos do rompimento do ciclo de queda neste mês de julho.

São Paulo

No mês passado, o contingente de desempregados foi estimado em 1,527 milhão de pessoas em São Paulo --12 mil a mais do que em junho. Segundo o Dieese e a Seade, o comportamento é resultado de pequenas oscilações na PEA (mais 11 mil pessoas) e no número de ocupados, que reduziu em 1 mil.

Nas três regiões em que os indicadores da PED são calculados no Estado, a taxa de desemprego total apresentou ligeiro aumento no município de São Paulo (de 13,4% para 13,7%) e pequena redução nos demais municípios da região metropolitana (de 17% para 16,6%) e do ABC (de 14,3% para 14%).

Em julho, o nível de ocupação (8,651 milhões) em São Paulo permaneceu inalterado em relação ao mês anterior (8,652 milhões), depois de dois meses de crescimento. Por setor, a indústria e a categoria que inclui a construção civil e os serviços domésticos registraram expansão no nível de ocupação, de 2,1% e 1,9%. O comércio verificou o quinto resultado negativo consecutivo, de 1,3%, e o setor de serviços recuou 0,7%.

"O comércio cresceu demais no final do ano passado e nos primeiros meses deste ano, o que é atípico. Mas não conseguiu sustentar e, em março, começou a desacelerar", disse Ferreira, do Seade. A expectativa, no entanto, é de retomada do nível de emprego no comércio a partir de setembro, já em função do movimento de fim de ano, afirmou Patrícia Lino Costa, do Dieese.

Salários

Em São Paulo, o rendimento médio real dos ocupados recuou 2,7% de maio para junho, para R$ 1.111. A renda dos assalariados, por sua vez, diminuiu 3,1%, para R$ 1.176. Em relação ao ano passado, os rendimentos médios reais de ocupados e assalariados ficaram praticamente estáveis, com recuo de 0,2% e leve alta de 0,1%, respectivamente.

Já no conjunto das seis regiões, entre maio e junho de 2007, o rendimento médio real dos ocupados e o dos assalariados registrou quedas de 0,5% e 1,1%, respectivamente. Em valores monetários, os rendimentos passaram a equivaler a R$ 1.052 e R$ 1.126.

"A qualidade das ocupações não foi das melhores em julho, com o crescimento de contratações sem carteira assinada, de 3,3%, contra 0,2% com carteira assinada", afirmou Ferreira.

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