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Dinheiro
29/08/2007 - 11h22

Habitação responde pelo maior gasto das famílias, diz IBGE

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DIANA BRITO
Colaboração para a Folha Online, no Rio

Os gastos com habitação são os que mais pesam no bolso das famílias brasileiras, segundo dados da POF (Pesquisa de Orçamentos Familiares) 2002-2003 divulgados nesta quarta-feira pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Das 48,5 milhões de famílias pesquisadas, independentemente da composição familiar, habitação correspondeu a 35,5% dos gastos.

Das famílias cujo maior gasto foi habitação, o maior peso dentro da categoria veio do aluguel: 45%. O levantamento destaca os grupos de referência de 60 a 69 anos e de 70 anos ou mais, para os quais os aluguéis representam mais da metade do total da despesa de consumo média mensal familiar com habitação.

Na segunda maior participação nas despesas, o estudo aponta alimentação (20,75%) em todos os arranjos familiares, exceto casal sem filhos, onde transporte ocupa esta posição. A aquisição de veículo foi o item desta categoria de maior peso, acima de 33%, tanto para a área urbana como para rural.

Depois de alimentação, no geral, aparecem transporte (18,44%), assistência à saúde (6,49%) e educação (4,08%).

Ainda em relação a despesas médias mensais familiares com alimentação, os gastos mais expressivos são encontrados na área urbana (R$ 350), embora nesta área esse item de despesa tenha menos peso (23%) do que na área rural (36,5%).

Em outro item, quase 50% do total da despesa com assistência médica foi representada por remédios, com variações entre 40% e 54% na área urbana do país, detalhou a POF. Os percentuais de maior expressão no item remédios se concentraram na área rural, entre 70% e 84%, do total de gastos na categoria de saúde.

Já a despesa com educação estava entre as mais baixas. Segundo o levantamento, a participação foi de 4% em relação ao total das despesas de consumo. A área urbana seguiu esse mesmo quadro, enquanto a área rural apresentou percentuais menores. As famílias com referência de 40 a 49 anos se destacaram com os percentuais de maior significância de gastos com educação, tanto na situação urbana como na rural, pontuou a pesquisa.

Por região, Norte, Nordeste e Sul registraram percentuais abaixo de 3,5% nos gastos com educação. A região Sudeste foi a que apresentou o maior percentual de investimentos em educação: 4,7%.

De acordo com o estudo, as despesas com recreação e cultura se concentraram nas famílias dos estratos de menor faixa etária, observando-se um declínio à medida que a idade da pessoa de referência avança. A região Sudeste foi a que mais destinou gastos para recreação e cultura (2,5%), chegando a atingir quase 5% nas famílias cuja pessoa de referência estava no grupo de 10 a 19 anos.

Escolaridade

Segundo o estudo, as famílias chefiadas por uma pessoa de cor branca ganham 25% a mais do que a média nacional (R$ 1.794,32). A remuneração média das famílias lideradas por brancos é de R$ 2,262,24, contra R$ 1.245,09 de chefes negros e R$ 1.232,62 de pardos.

Pela escolaridade, as famílias chefiadas por pessoas com 11 anos ou mais de estudo tinham renda mais elevada (R$ 3.796). Nas com menos de um ano de instrução, a renda era, em média, R$ 752. leia dados completos aqui

POF 2002-2003

A pesquisa traça um perfil das despesas e rendimento de acordo com a característica da pessoa de referência, tais como a inserção no mercado de trabalho, escolaridade, idade, o sexo, a cor ou raça, e a religião, entre outras.

Esta é a quarta pesquisa realizada pelo IBGE sobre orçamentos familiares. As anteriores foram o Estudo Nacional de Despesa Familiar (ENDEF 1974-1975), com âmbito territorial nacional, à exceção da área rural da região norte e centro-oeste; POF 1987-1988 e a POF 1995-1996 --essas duas tinham como meta atender a atualização das estruturas de consumo dos índices de preços do consumidor produzidos pelo IBGE, sendo realizadas nas regiões metropolitanas do país.

 

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