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Dinheiro
29/08/2007 - 18h03

Gabrielli defende mudança de foco nos investimentos da Petrobras

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YGOR SALLES
da Folha Online

O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, defendeu a mudança de foco nos investimentos da estatal para os setores petroquímico e de produção de energia limpa devido a novos no rumos no setor. A declaração foi dada na sede da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), durante a apresentação do plano de negócios da estatal para o período entre 2008 e 2012.

Para Gabrielli, a demanda de petróleo vai se manter nos próximos anos, mas haverá diferença no emprego do produto, deixando os carros e para ser mais presente na cadeia petroquímica.

No setor de combustível, por exemplo, a participação da gasolina na matriz de combustíveis brasileira é de 60%. E deverá cair para cerca de 44% já em 2008, conforme o presidente da Petrobras.

"Ou a empresa [que trabalha com combustíveis líquidos] muda o foco ou será atropelada pelas pressões dos consumidores ou da regulação", disse Gabrielli.

Sobre o setor petroquímico, Gabrielli voltou a dizer que o mercado está em processo de consolidação. E como uso do petróleo será voltado para esse setor, a estatal necessita se expandir nele para cumprir o objetivo de estar entre as cinco maiores empresas de produção integrada de energia do mundo.

"Há duas coisas importantes no futuro do setor petroquímico: a integração dos processos e o tamanho da empresa. Para se manter, será necessário ter essas duas qualidades. Seria ótimo se o setor privado fizesse isso", afirmou Gabrielli, quando questionado se as compras da Ipiranga e da Suzano Petroquímica seria uma espécie de estatização do setor petroquímico brasileiro. "A vida é dura."

Sobre novas aquisições, o presidente da estatal disse que não está contemplado no plano de negócios. "Todo o crescimento [puxado pelo plano] é orgânico. As aquisições que ocorrerão são pontuais. Quando há uma oportunidade, nós analisamos e compramos ou não", explicou.

Plano de investimentos

O plano de investimentos da Petrobras para o período entre 2008 e 2012 é de US$ 112,4 bilhões, conforme já anunciado há duas semanas. Gabrielli detalhou o quanto deste bolo é destinado a São Paulo: US$ 14,5 bilhões.

Deste valor, 57% (US$ 8,2 bilhões) serão empregados na área de abastecimento (refino, transporte e comercialização), com projetos para melhorar a qualidade do diesel e da gasolina e o aumento de processamento do petróleo nacional nas refinarias do estado, em especial a Replan. Mais US$ 4,5 bilhões irão para a exploração dos campos de Merluza, Mexilhão e Uruguá-Tambaú. O restante (US$ 1,74 bilhão) será usado para a construção de gasodutos, alcooldutos, petroquímica, distribuição e na área corporativa.

Sobre a chance da crise do crédito de alto risco (subprime) imobiliário americano atrapalhar os planos da Petrobras, Gabrielli afirmou que a empresa já trabalha com um cenário futuro com menor crescimento do que o atual. "Consideramos crescimento do PIB mundial a 4,3% ao ano, menor do que temos visto, e o petróleo a US$ 35", disse. "A crise não terá muito impacto no petróleo e muito menos na Petrobras. Até porque nosso maior mercado é interno."

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