Desoneração, CPMF e reforma tributária são desafios, diz Mantega
ANA PAULA RIBEIRO
da Folha Online, em Brasília
O ministro Guido Mantega (Fazenda) afirmou nesta quinta-feira que o país vive um novo modelo de crescimento e desenvolvimento econômico. Esse modelo, classificado por ele de "sócio-desenvolvimento", é baseado em taxas maiores de crescimento e redução da desigualdade. Apesar disso, disse que o Brasil tem três desafios econômicos.
A afirmação foi feita ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ministros durante reunião ministerial realizada desde o início da manhã na Granja do Torto, em Brasília.
Durante sua exposição, repetiu o discurso das últimas semanas: o Brasil está sólido para enfrentar turbulências internacionais. Afirmou que o crescimento do país está baseado no mercado interno, com expansão do mercado de massa e da renda. Destacou ainda o desempenho do setor industrial e do aumento das importações.
Afirmou ainda que mesmo que ocorra uma desaceleração nos EUA, o impacto na economia mundial não será tão grande para os demais países, já que juntos Índia e China respondem por 20% do PIB mundial, o equivalente a participação dos EUA.
Apesara de otimista, destacou três "desafios": a reforma tributária, a prorrogação da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) e a desoneração da folha de pagamentos.
Mantega está também confiante em relação à situação fiscal do país e espera que o Brasil tenha em dois anos um déficit nominal zero, ou seja, as receitas serão suficientes para cobrir todas as despesas, incluindo o pagamento de juros.
"Vamos caminhar para um déficit nominal zero nos próximos dois anos", afirmou ele durante exposição feita na reunião ministerial, que é realizada nesta quarta-feira na Granja do Torto.
No acumulado de 12 meses encerrados em julho, o resultado nominal ficou negativo em 2,08% do PIB (Produto Interno Bruto), contra 2,16% em junho. Já o superávit primário (receitas menos despesas, excluindo gastos com juros) subiu de 4,30% do PIB para 4,37% do PIB --acima da meta, que é equivalente a 3,8% do PIB (R$ 95,89 bilhões).
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