Dinheiro
30/08/2007 - 13h09

Uso de cartão em compra parcelada supera pagamentos à vista

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DEISE DE OLIVEIRA
da Folha Online

Depois de os cartões de crédito terem ultrapassado, em 2006, os talões de cheque em números de transações, neste ano o uso do plástico para as compras parceladas vai superar o uso para pagamentos à vista.

"Este será o primeiro ano em que o pagamento parcelado vai superar os pagamentos à vista, embora isso já tenha acontecido em alguns meses ao longo dos últimos anos", disse Fernando Chacon, diretor de marketing para cartões do Itaú.

Segundo ele, a expansão se deve ao preço a prazo em quatro ou cinco vezes ser o mesmo do praticado à vista, e também ao aprendizado do consumidor em adequar a capacidade de pagamento ao consumo. "O cartão de crédito para contas parceladas também é uma forma de lojistas e consumidores se prevenirem da inadimplência do pré-datado", disse Chacon.

No primeiro semestre deste ano, as compras parceladas representaram 50,1% do total, o equivalente a R$ 41,5 bilhões do faturamento de cartões de crédito, contra 49,9% das feitas a vista (R$ 41,4 bilhões). Para o fim do ano, a estimativa é que o parcelado chegue a 51,9%, aos R$ 94,2 bilhões.

Quanto à substituição do cheque pelo cartão como preferência de forma de pagamento, as transações com cartões devem somar R$ 2,4 bilhões contra R$ 1,5 bilhão em cheques em 2007. A quantidade de transações de cartão de crédito vai superar a de cheques compensados em 52% no ano, segundo o estudo "O cartão de crédito na economia", parte da pesquisa mensal de Indicadores do Mercado de Meios Eletrônicos de Pagamento realizada pelo Itaú.

Conforme o levantamento, nos últimos 14 anos, o cartão de crédito ampliou a participação no consumo privado (valor do PIB menos investimentos e gastos do governo) de 2,7% para 14,4%, hoje.

Expansão

Segundo Chacon, a taxa de crescimento do cartão de crédito tem sido da ordem de 20% a cada ano, a exemplo do que ocorreu no desempenho do primeiro semestre deste ano, quando o faturamento foi de R$ 83 bilhões, com 86 milhões de cartões, contra R$ 69 bilhões no mesmo período do ano anterior, com 72 milhões de unidades.

Para o ano, a previsão é atingir faturamento de R$ 181,6 bilhões, com 2,381 bilhões de transações e valor médio da compra de R$ 76.

Entre as regiões do país, a maior taxa de expansão foi no Centro-Oeste, com alta de 38,4% do faturamento e 21,7% no número de cartões nos primeiros seis meses deste ano em relação ao mesmo período de 2006. No Norte, o faturamento cresceu 22,3% e os cartões, 15,1%, e no Nordeste, 22% e 21,3%, respectivamente.

Resistência

A região Sul tem um índice de crescimento ainda modesto, se considerado ao desempenho das outras regiões e, inclusive, à Sudeste, que já tem um mercado maduro, segundo Chacon. O Sul teve aumento de 20,9% no faturamento e 15,6% no número de cartões e o Sudeste, 16,5% e 18,2%, respectivamente.

"O consumidor do Sul foi o último a romper a barreira do cartão de crédito. Os lojistas também foram muito resistentes. Há redes de supermercado que não aceitam cartões que não sejam os próprios da loja até hoje", afirmou Chacon.

Segundo o estudo, a queda de cerca de 33% do dólar entre 2003 e o primeiro semestre deste ano impulsionou o uso do cartão de crédito no exterior, em 19,6% no período. Para 2007, são esperadas 7,8 transações internacionais por cartão ativado (com pelo menos uma compra no ano).

Quanto às negociações na internet, o cartão de crédito responde por 68% do faturamento, das compras que devem somar R$ 6,4 bilhões neste ano.

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