Dinheiro
30/08/2007 - 20h55

Fabricantes brasileiros destacam em cúpula 'ameaça' de calçados chineses

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da Efe, em Buenos Aires

Fabricantes das indústrias de calçados brasileira, argentina, paraguaia, uruguaia e mexicana destacaram hoje que as importações de produtos chineses são uma 'ameaça' para o setor na América Latina.

No Fórum da Indústria do Calçado da América Latina (Fical), iniciado nesta quinta-feira em Buenos Aires, os empresários reivindicaram 'medidas de defesa regionais' frente ao avanço chinês, refletido no registro de que a cada dez pares de sapatos usados no mundo, oito provêm do país asiático.

"A concorrência não é justa, e as ferramentas que temos na Organização Mundial do Comércio (OMC) também não são justas nem eficazes", declarou o presidente da Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados), Milton Cardoso.

O empresário disse que "a situação de trabalho na China é desumana", e que 'uma hora de trabalho no Brasil equivale ao pagamento de quatro horas na China".

No entanto, o vice-presidente da União Industrial Paraguaia, Vicente Ramírez Santacruz, apontou a necessidade de "aprofundamento das medidas em nível regional e de trabalho para se conseguir preços de referência similares em toda a região ou pelo menos margens mínimas e máximas em tarifas".

No ano passado, o Paraguai importou 20 milhões de pares de calçados, por US$ 32 milhões --US$ 11 milhões apenas da China.

"Um país com seis milhões de habitantes jamais pode consumir essa quantidade de calçados, contando ainda com o que entra no país por contrabando', advertiu o empresário.

"Os importadores são vulgares contrabandistas disfarçados. Por isso, as reivindicações para que Governos elevem a tarifa para importações são o primeiro passo para que a indústria se mantenha, se desenvolva e progrida", disse Santacruz.

Já o secretário-geral da Câmara de Calçado do Uruguai, Daniel Tournier, destacou a necessidade de não se deixar entrar calçados "com preços inferiores ao da somatória de seus componentes no mercado global".

Tournier comentou que o calçado chinês geralmente custa um quarto do preço dos sapatos fabricados no Brasil e na Argentina.

O titular da Câmara da Indústria do Calçado da Argentina, Alberto Sellaro, afirmou, por sua vez, que em seu país "as importações de 2002 a 2006 cresceram 500%, e que as da China bateram em 3.000%".

Além disso, indicou que "a participação da China nas importações de calçado argentino em 2002 era de 4%, e que em 2006 subiu para 32%".

No fórum empresarial que será encerrado nesta sexta-feira, também falou o ministro argentino da Economia, Miguel Peirano, que prometeu "seguir tomando todas as medidas necessárias para salvaguardar o mercado interno e promover competitividade".

A Argentina anunciou no último dia 17 restrições à entrada de têxteis, pneus, brinquedos, sapatos e produtos de couro, entre outros, para proteger empresas locais de 'ameaças' chinesas.

Peirano fez ainda um apelo aos países vizinhos para que "consolidem o potencial da indústria calçadista na região, unidos por um objetivo em comum, com possibilidades de desenvolvimento para todos".

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