Analistas esperam corte de 0,25 ponto percentual em taxa Selic
EPAMINONDAS NETO
da Folha Online
Economistas de bancos e corretoras esperam que o Copom (Comitê de Política Monetária) deve continuar a reduzir a taxa básica de juros do país, apesar das turbulências financeiras recentes.
Os especialistas, no entanto, apostam que a autoridade monetária vai suavizar o ritmo de cortes, optando por rebaixar em somente 0,25 ponto percentual a taxa Selic, atualmente em 11,50%. E continuar a ajustar a taxa até outubro, chegando a 11% no final do ano.
"Mesmo com os problemas [do mercado],e os efeitos sobre o câmbio, a inflação continua abaixo da meta do governo [4,5% no ano]. E nós acreditamos em um corte de 0,25 ponto percentual principalmente porque o BC já vinha num ritmo muito agressivo de cortes, o que mostra a intenção de continuar a reduzir a taxa [Selic]", avalia Arthur de Carvalho, economista-chefe da corretora Ativa.
Nas últimas reuniões do Copom, houve um racha entre os integrantes do Comitê. Em junho, o corte de 0,50 ponto percentual foi aprovado por cinco votos a favor e dois pela redução de 0,25 ponto. E em julho, um novo corte de 0,50 ponto foi aprovado por quatro votos a favor e três pelo 0,25 ponto.
Desta vez, um corte de 0,50 ponto percentual é considerado pouco provável: as turbulências financeiras recentes dão argumento para o Banco Central ser ainda mais cauteloso. Manter a taxa também é uma opinião minoritária entre analistas: a instabililidade das Bolsas ainda não deu provas de que chegou a afetar o crescimento econômico. "O único canal de contaminação, até agora, é o câmbio", acrescenta o economista da Ativa.
O mercado chegou a acender o sinal amarelo após a divulgação de dois índices de preços importantes: o IPCA-15, uma "prévia" do índice oficial de inflação, e o IGP-M, que subiram mais que o esperado. O IGP-M, que teve variação de 0,98%, a mais alta de 2004, é particularmente sensível às oscilações do câmbio.
Para a economista-chefe da banco Fibra, Maristella Ansanelli, os indicadores de preços somente refletiram choques "localizados" no grupo dos alimentos, que acompanharam a recuperação dos preços internacionais das commodities. "Não identificamos, portanto, pressões de demanda significativas nem generalização de aumentos de preços nos últimos indicadores divulgados", avalia a economista, em boletim sobre o Copom.
"O poder de compra foi estimulado não apenas pelo nível mais alto de emprego mas também por juros mais baixos e condições de crédito mais flexíveis. Esse incremento na demanda, combinado com alta internacional dos alimentos e energia gerou pressões sobre os preços domésticos", reforça a agência de classificação de risco Moody's, em relatório sobre a economia brasileira. "Contudo, um crescimento firme das importações pode ajudar a aliviar algumas dessas pressões", acrescenta.
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