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Dinheiro
05/09/2007 - 16h15

Países pobres devem se proteger de recessão nos EUA, diz ONU

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da Folha Online

Países pobres e em desenvolvimento, como China e Índia, precisam estimular seus mercados domésticos de modo a protegê-los dos efeitos de uma possível recessão econômica nos EUA, segundo o "Relatório de Comércio e Desenvolvimento - 2007", divulgado nesta quarta-feira pela Unctad (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, na sigla em inglês).

Segundo o documento, a economia mundial deverá crescer neste ano 3,4%, contra os 4% registrados em 2006. "Boa parte dessa desaceleração moderada se deve a um desaquecimento na economia dos EUA (...) devido principalmente a uma reversão no mercado imobiliário dos EUA, antes em forte expansão", diz o texto.

Os países emergentes precisam procurar estimular a demanda interna para evitar grandes perdas caso ocorra uma recessão nos EUA, o que teria efeito severo sobre suas exportações, diz o documento. À China, o órgão da ONU (Organização das Nações Unidas) fez elogios pela iniciativa de elevar os salários dos trabalhadores de baixa qualificação como meio de estimular o mercado doméstico.

A Unctad alerta ainda que uma "contração acentuada" nos preços dos imóveis nos EUA poderia causar um encolhimento expressivo na demanda do consumidor americano, o que afetaria as exportações de países pobres e em desenvolvimento --que têm nos EUA um de seus principais destinos.

"Se a atual desaceleração na economia dos EUA se aprofundar e cair em uma recessão (...) o cenário ficará bastante debilitado", diz o relatório. O consumo nos EUA responde por cerca de 70% de toda a atividade econômica americana.

O déficit na balança comercial dos EUA recuou 1,7% em junho (data da última leitura disponível) na comparação com maio, e ficou em US$ 58,1 bilhões, menor patamar desde fevereiro deste ano, segundo o Departamento do Comércio.

As exportações do país tiveram um aumento de 1,5% em junho, chegando ao recorde de US$ 134,5 bilhões, contra um crescimento de 0,5% nas importações, que chegaram a US$ 192,7 bilhões.

Os preços das casas nos EUA vêm registrando perdas desde o ano passado, com o fim do período de forte expansão do mercado imobiliário. A agência de classificação de risco Standard & Poor's e a MacroMarkets informaram no mês passado que o índice S&P/Case-Shiller dos preços de casas no país mostrou uma queda de 3,2% nos preços dos imóveis no país no segundo trimestre. Foi a maior queda desde o início da série, em 1987.

Já o Ofheo (Escritório Federal de Supervisão do Mercado Imobiliário, na sigla em inglês) mostrou que os preços dos imóveis residenciais no país tiveram uma alta de 3,2% no mesmo período, na comparação anual.

Hoje, o Federal Reserve (Fed, o BC americano) divulgou o "Livro Bege", o relatório baseado em dados coletados nas 12 divisões regionais do banco, no qual afirmou que a atividade econômica nos EUA manteve o ritmo de expansão em agosto, mas a crise financeira provocada pelos problemas no mercado de hipotecas de risco país teve um efeito "considerável" sobre o mercado imobiliário.

O documento avalia que a restrição maior no acesso ao crédito "aumentou a incerteza sobre quando o mercado imobiliário poderá reverter o quadro" de desaceleração e quedas de vendas e preços. A disponibilidade de crédito fora do setor imobiliário, no entanto, permaneceu boa, diz o texto.

"Fora do setor imobiliário, os comentários foram que a turbulência nos mercados financeiros afetou a atividade econômica durante o período da pesquisa foram limitados."

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