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Dinheiro
05/09/2007 - 19h48

Copom mantém queda e reduz taxa de juros para 11,25% ao ano

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ANA PAULA RIBEIRO
da Folha Online, em Brasília

No momento em que os mercados financeiros acabam de passar por uma turbulência internacional e em que foi aceso o "sinal amarelo" da inflação, o Banco Central decidiu, por unanimidade, reduzir o ritmo de corte da taxa básica de juros. O Copom (Comitê de Política Monetária) anunciou na noite desta quarta-feira que a Selic foi reduzida de 11,50% para 11,25% ao ano, ante um corte de meio ponto feito na reunião anterior, realizada em julho.

Embora admita que há risco na trajetória da inflação, o Comitê indicou uma possível mudança em sua estratégia apenas na próxima reunião, em outubro.

"O Copom avaliou a conjuntura macroeconômica e considerou que, neste momento, o balanço de riscos para a trajetória prospectiva da inflação ainda justificaria estímulo monetário adicional. Dessa forma, o Comitê decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa Selic para 11,25% ao ano, sem viés. O Comitê irá monitorar atentamente a evolução do cenário macroeconômico até sua próxima reunião, para então definir os próximos passos na sua estratégia de política monetária", afirma o órgão em nota.

Arte/Folha Online
Gráfico mostra evolução da taxa Selic desde 2004, definida pelo Copom

O corte tímido faz o Brasil permanecer na segunda colocação entre os países com maiores taxas de juros reais, com 7,3% ao ano. A liderança é da Turquia, com 9,4%, segundo a UpTrend Consultoria Econômica.

O processo de redução dos juros brasileiros foi iniciado em setembro de 2005. Ao todo, são 18 cortes consecutivos. No entanto, a decisão de hoje refletiu em um corte menor que o realizada nas duas últimas reuniões, como já previam os analistas do mercado financeiro.

O principal fator que justifica a menor velocidade são as pressões inflacionárias, concentradas nos alimentos. Ontem, o ministro Guido Mantega (Fazenda) afirmou que a dinâmica de alguns preços, como o leite e seus derivados e o milho, foi afetada e que isso significava um "sinal amarelo". No entanto, descartou que a inflação fique acima do centro da meta, que é 4,5% do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo).

A taxa de juros é o instrumento utilizado pelo BC para manter a inflação sob controle. Se os juros caem muito, a população tem maior acesso ao crédito e consome mais. Esse aumento da demanda pode pressionar os preços caso a indústria não esteja preparada para atender a um consumo maior. Por outro lado, se os juros sobem, a autoridade monetária inibe consumo e investimento, a economia desacelera e é possível evitar que os preços subam.

No ano, o IPCA, índice oficial de preços do governo, acumula uma alta de 3,69% --nos 12 meses encerrados em julho, ele está em 3,74%. A previsão do mercado financeiro é que o índice termine o ano em 3,92%, segundo o boletim Focus divulgado semanalmente pelo BC.

O mesmo levantamento aponta que os analistas esperam apenas mais um corte de 0,25 ponto percentual neste ano. Se a previsão se confirmar, a Selic terminará 2007 em 11% ao ano. O comitê se reúne mais duas vezes neste ano: 16 e 17 de outubro e 4 e 5 de dezembro.

Mas se por um lado há um "sinal amarelo" para a inflação, por outro existe o crescimento econômico indicando que não deverá ser gerada pressão inflacionária. O crescimento da taxa de investimentos e da importação de bens de capital indicam que a indústria terá como aumentar a capacidade de produção para atender ao aumento demanda.

A utilização da capacidade instalada (mede o total de máquinas e equipamentos de uma indústria em uso) em julho chegou a 82,5%. Embora próximo ao patamar registrado em setembro de 2004 (83,2%), mês em que o BC iniciou o processo de elevação da taxa de juros para conter o aumento do consumo, a CNI (Confederação Nacional da Indústria) acredita que não há risco de os empresários não atenderem a um possível aumento da demanda.

A entidade espera que os investimentos comecem a maturar entre o final do ano e o início de 2008, ou seja, as máquinas e equipamentos comprados estarão em uso pelas indústrias, o que garantirá uma produção maior para atender o consumo.

O Copom divulga na quinta-feira da próxima semana a ata da reunião ocorrida ontem e hoje.

 

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