BB e Telefônica lançam cartão de crédito para ligações
YGOR SALLES
da Folha Online
O Banco do Brasil e a Telefônica anunciaram nesta quinta-feira a criação de um cartão híbrido que servirá tanto como cartão de crédito internacional como para realizar ligações telefônicas ("calling card").
O plástico --chamado de FaleSempre-- permitirá ao usuário realizar chamadas locais, DDD e DDI a partir de qualquer telefone, inclusive no exterior, através de um número de telefone do tipo 0800. Os gastos com as ligações serão cobradas na fatura do cartão de crédito.
A expectativa é de que cerca de 700 mil unidades do cartão sejam emitidas em até um ano. A princípio, o cartão será disponibilizado apenas para os clientes da Telefônica e com as bandeiras Visa ou Mastercard, mas pode ser ampliado posteriormente. "Mais à frente podemos discutir estas outras alternativas", disse o vice-presidente de Finanças da Telefônica, Gilmar Camurra.
Provavelmente a facilidade será ampliada primeiro para os correntistas do Banco do Brasil e clientes da operadora de celular Vivo-- de quem a Telefônica é uma das donas--, mas ainda não há prazo para que isso ocorra.
Segundo Camurra, as ligações realizadas através do FaleSempre terão desconto. "A princípio custarão cerca de 10% mais barato do que usando o meio tradicional", explicou. Além disso, o detentor do cartão poderá fazer a recarga dos terminais econômicos da Telefônica --as Linhas Econômicas e Controle.
A anuidade será de quatro parcelas de R$ 9 cada por ano. Ela não será cobrada dos clientes que colocarem a fatura do seu telefone fixo para ser cobrada em cobrança automática através do cartão.
Na parceria para a criação do cartão, a Telefônica ficou responsável pelos serviços de telecomunicações e o Banco do Brasil pela gestão das atribuições financeiras do produto. O limite de crédito das compras e das ligações telefônicas serão distintos, a critério de cada uma das partes.
O programa de recompensas também terá um diferencial sobre os demais. Os pontos darão descontos em serviços da Telefônica --como a banda larga Speedy e o detector de chamadas Detecta-- ou até descontos nas faturas. "O que faremos é dar recompensas em serviços de necessidade efetiva do cliente", disse Camurra.
Disputa
Para José Maria Rebelo, vice-presidente de Negócios Internacionais e Atacado do Banco do Brasil, a disputa com outros bancos interessados na parceria foi pesada. "A discussão foi intensa, já que a Telefônica ouviu vários players do mercado", disse. Foram 13 bancos nacionais e estrangeiros na briga.
Após a escolha, ficou firmado um contrato de exclusividade entre as duas partes. Ou seja, o Banco do Brasil não poderá fazer um cartão semelhante em parceria com outras operadoras nem a Telefônica pode fazer o mesmo com outros bancos. Porém, não foi informado o tempo de duração desta exclusividade. "Só posso dizer que é de mais de um ano", disse Camurra.
Rabelo informou que o FaleSempre faz parte de um modelo de negócios voltados para o não-cliente que já está em andamento. "Já temos 18 parcerias que usam cartão private label (tipo de cartão de uso restrito ao comércio a que está atrelado)", disse o executivo. A base de cartões deste tipo no BB já soma 750 mil unidades dentro do universo de 16 milhões de plásticos emitidos pelo banco.
O presidente da Telefônica, Antonio Carlos Valente, informou que o cartão tem como um dos objetivos secundários a redução da inadimplência, já que aposta numa adesão maciça de clientes da operadora na cobrança automática através do FaleSempre. "Também entra a possibilidade de usarem a facilidade para comprar novos serviços", ressaltou.
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