Crescimento da China em 2007 será o maior em 12 anos, diz BM
da Efe, em Pequim
O Banco Mundial elevou nesta quarta-feira as suas expectativas de crescimento para a China, quarta maior economia do planeta, que deverá atingir a taxa de 11,3%, e previu que o superávit comercial e a inflação também continuarão crescendo no país.
O aumento do PIB (Produto Interno Bruto) seria o maior desde 1995, e com uma alta considerável em relação aos 10,4% que o Banco Mundial havia previsto no seu relatório trimestral anterior, em maio.
No primeiro semestre do ano, a China registrou um crescimento de 11,5%. Em dezembro de 2006, o Executivo havia estabelecido o objetivo de conter o aumento em 8%.
O banco prevê, no entanto, que o crescimento chinês vai se reduzir para 10,8% em 2008, segundo o relatório apresentado hoje numa entrevista coletiva, em Pequim.
A fim de evitar o superaquecimento econômico, o banco recomendou uma nova elevação das taxas de juros. O Banco do Povo da China (banco central do país) já recorreu a esse expediente quatro vezes este ano.
O "maior desafio macroeconômico" para os políticos chineses é o excedente de seu balanço de pagamentos, que segundo o banco continuará crescendo este ano e chegará a 12% do PIB.
"A principal tarefa continua sendo conter o superávit comercial, e uma divisa mais forte é a ferramenta mais evidente", disse Bert Hofman, diretor do escritório do Banco Mundial na China.
Segundo o relatório, as medidas dos políticos chineses para conter as exportações não estão surtindo efeito, e apenas contribuem para um efeito inflacionário.
O superávit chinês, segundo o a instituição, chegará a US$ 378 bilhões em 2007, com um aumento de 22,8% nas exportações e 18,2 nas importações.
Devido ao volume de exportações, a China seria afetada por uma recessão na economia dos Estados Unidos e outros grandes mercados. "Isso diminuiria as preocupações com crescimento, inflação e superávit", comentou Louis Kuijs, autor do relatório.
O Banco Mundial, com sede em Washington, considera que este é um "bom momento" para acelerar a valorização do iuane, a fim de reduzir as exportações, como os EUA têm exigido nos últimos anos.
A pujança das exportações chinesas vem criando conflitos com outras potências como EUA e União Européia, incluído um litígio na OMC (Organização Mundial do Comércio) por causa dos supostos subsídios do governo aos exportadores.
O banco considera normais os conflitos. "Não diria que há uma batalha. Até agora, a integração da China na economia mundial é semelhante à de outros países, sempre com alguns atritos", disse Kuijs à agência Efe.
Ele acrescentou que "é muito cedo" para saber se as medidas adotadas pelos outros países contra a China "afetarão as suas exportações".
Em agosto, a China registrou o maior aumento do índice de preços ao consumidor da década, com 6,5%, segundo dados do Escritório Nacional de Estatísticas, publicados ontem.
A crise se deve à alta do preço dos alimentos, especialmente do porco. O próprio governo reconheceu que não poderá ficar na meta de inflação fixada para 2007, de 3%. Mas o Banco Mundial acredita que pelo menos ela poderá ficar em 4,6% este ano e 3,8% em 2008.
Em 2006 o PIB chinês cresceu 11,1%, segundo estatísticas oficiais, e a inflação foi de 1,5%.
Acompanhe as notícias em seu celular: digite wap.folha.com.br
Leia mais
- Inflação na China fica em 6,5% em agosto, maior desde 1996
- Chineses reclamam de entraves a investimentos no Brasil
- China tem 610 mil empresas estrangeiras em seu território
Especial

