PIB cresce 0,8% no 2º trimestre e 5,4% frente a 2006, diz IBGE
CLARICE SPITZ
da Folha Online, no Rio
Impulsionada pela indústria, a economia brasileira registrou uma expansão de 0,8% no segundo trimestre frente aos primeiros três meses deste ano, divulgou hoje o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Em valores, o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro totalizou R$ 630,2 bilhões.
Entenda o que é o PIB e como é feito seu cálculo
O crescimento entre os trimestres ficou dentro da estimativa de analistas consultados pela Folha Online, que previam alta entre 0,8% e 1,3%. Na comparação com o segundo trimestre do ano passado, o PIB brasileiro apresentou crescimento de 5,4%, taxa também em linha com expectativas (entre 4,9% e 6%). Trata-se do maior crescimento desde 2004. (veja gráficos abaixo)
No acumulado do primeiro semestre, o PIB registrou crescimento de 4,9% em relação ao mesmo período de 2006. Nos últimos 12 meses (quatro trimestres terminados em julho de 2007), o crescimento chega a 4,8%.
Também hoje, o IBGE revisou a variação do PIB do primeiro trimestre de 2007 em relação o mesmo período do ano anterior, passando de 4,3% para 4,4%. No primeiro trimestre (janeiro a março) do ano em comparação aos três meses imediatamente anteriores (outubro a dezembro), o PIB brasileiro também sofreu uma revisão (ajuste sazonal), indo de 0,8% para 0,9%.
| Reuters |
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| Indústria de transformação puxou participação da indústria no PIB no segundo trimestre |
Com a aceleração maior da demanda interna, o segundo trimestre do ano deu continuidade a um perfil de crescimento baseado principalmente na recuperação da indústria e na continuidade da expansão da oferta de crédito e do aumento da renda dos trabalhadores. O boletim Focus, elaborado pelo Banco Central a partir de consultas a mais de cem analistas de mercado mercado, prevê que a economia brasileira encerre o ano com crescimento de 4,7%.
Pela ótica da oferta, o principal destaque coube à indústria. O segmento apresentou expansão de 1,3% em relação ao primeiro trimestre de 2007. Já serviços avançou 0,7%, e agropecuária subiu 0,6%. Frente ao mesmo período de 2006, a indústria também apresentou a maior expansão entre os setores, com elevação de 6,8%, seguido por serviços (4,8%) e agropecuária (0,2%).
Dentro da indústria, o destaque foi o setor de transformação, com crescimento de 7,2%. A extrativa, por sua vez, cresceu 5,9%.
Já pela ótica da demanda, o consumo das famílias e a Formação Bruta de Capital Fixo, que sinaliza os investimentos, apresentam expansões de 1,5% e 3,5% em relação ao primeiro trimestre do ano. Sobre 2006, as altas foram de 5,7% e 13,8%, respectivamente.
Segundo o IBGE, o forte crescimento da Formação Bruta de Capital Fixo é explicado pelo aumento da produção e importação de máquinas e equipamentos. Sobre o consumo das famílias ter subido 5,7% frente a 2006, o IBGE anota a 15ª alta consecutiva nessa base de comparação.
"O desempenho da economia mostra que a demanda interna está aquecida e ganhou impulso no segundo trimestre. Este ano está praticamente dado em relação ao crescimento econômico", afirma Alexandre Antunes, da MCM.
Sandra Utsumi, economista-chefe do Banco Espírito Santo, que projeta um crescimento de 4,9% para 2007, afirma que aceleração da demanda interna traz riscos de pressões inflacionárias e dúvidas sobre a capacidade instalada para sustentar um crescimento mais vigoroso. "Todo mundo quer crescer a 5% é preciso saber se é possível. É preciso balancear o crescimento a longo prazo", afirma.
Em relação à demanda externa, o IBGE aponta que as exportações cresceram 13% no segundo trimestre frente 2006, enquanto as importações subiram 18,7%. COm relação aos trimestre anterior, a exportação de bens e serviços subiu 0,9%, e a importação, 1,5%.
Metodologia
O PIB é a soma das riquezas produzidas por um país. É formado pela indústria, agropecuária e serviços. O PIB mostra o comportamento de uma economia. No passado, por exemplo, quando o Brasil atravessou uma recessão, o PIB encolheu 0,2%.
O PIB também pode ser analisado a partir do consumo, ou seja, pelo ponto de vista de quem se apropriou do que foi produzido. Nesse caso, o PIB é dividido pelo consumo das famílias, pelo consumo do governo, pelos investimentos feitos pelo governo e empresas privadas e pelas exportações.
| Arte Folha Online | ||
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