PIB da indústria veio dentro da expectativa, diz Fiesp
YGOR SALLES
da Folha Online
O diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Francini, disse nesta quarta-feira que o resultado positivo da indústria no PIB (Produto Interno Bruto) do segundo trimestre veio dentro do esperado.
A indústria foi o setor que mais puxou o crescimento do PIB, segundo dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Na comparação com o primeiro trimestre, o PIB industrial cresceu 1,3%, contra 0,8% do PIB geral. A diferença também pode ser vista na comparação em relação ao segundo trimestre do ano passado (6,8% da indústria contra 5,4% do geral).
"Não tivemos grandes surpresas. A indústria da transformação continua tendo um desempenho satisfatório, comprovado pelo desempenho do PIB", disse Francini. "Não está acontecendo nada de muito ruim, e isso reflete no emprego."
Em agosto, o nível de emprego da indústria da transformação atingiu sua oitava alta mensal consecutiva, com crescimento de 0,23% sobre julho e de 7,58% sobre o mesmo mês de 2006.
Para Francini, o fato da indústria da transformação puxar a alta do PIB é positivo. "Gostamos quando a indústria da transformação puxa o PIB porque é ela que deve fazer isso em uma economia saudável", explicou.
O economista acredita que, ao final do ano, o setor deve ter um desempenho semelhante ao PIB. "Quem sai do inferno para ir ao paraíso deve passar pelo purgatório", disse, fazendo menção ao fato do PIB do setor no ano passado ter sido ruim --formando uma base baixa quer permitiu a alta mais vigorosa. "Mantidas as condições, acredito que em 2008 a indústria termine o ano puxando de fato o crescimento."
Sobre o PIB total, Francini disse que também não houve surpresa. "Nossa rodada interna deu 5,5%, ficou próximo dos 5,4%", disse.
Inflação
Francini ainda criticou a possibilidade das taxas de juros pararem de cair para segurar a inflação. Segundo ele, esta inflação não é causada pela demanda --o que, se acontecesse, justificaria o uso desta arma para impedir maiores altas de preços.
"O IPA [Índice de Preços no Atacado] agrícola no acumulado de 12 meses está em 12,8%, e o IPA industrial está em 2,8%", disse o economista. "Não é verdade que a indústria está no topo de sua capacidade instalada. Está na casa dos 82%, mas você não percebe o esgotamento da capacidade."
Não sendo causada pela demanda, Francini diz que não há motivos para que os juros parem de cair para impedir a alta da inflação. "O que a taxa de juros vai fazer para baixar os preços do leite no mercado internacional?", questionou, citando um dos produtos alimentícios que mais pressiona a inflação.
Acompanhe as notícias em seu celular: digite o endereço wap.folha.com.br
Leia mais

