Dinheiro
12/09/2007 - 14h39

Crise nos mercados levará tempo para ser resolvida, diz Paulson

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da Folha Online

O secretário do Tesouro dos EUA, Henry Paulson, disse nesta quarta-feira que a turbulência atual nos mercados financeiros deve levara ainda algum tempo até que seja resolvida, principalmente no segmento de hipotecas de risco do setor imobiliário americano, onde teve início.

"Estamos experimentando turbulência nos mercados e, eu tenho dito já há algum tempo, vai levar um tempo para que ela vá embora", disse Paulson em um evento no Departamento do Tesouro. "Vamos encontrar nosso caminho para fora [da crise], em alguns mercados mais rapidamente que em outros."

Paulson disse que o governo do presidente George W. Bush está procurando a ajuda das grandes empresas financeiras americanas para garantir que as famílias com problemas de inadimplência em suas hipotecas recebam assistência, à medida em que seus contratos são reajustados e ficam mais caros.

O secretário acrescentou que "já estamos vendo sinais de melhora em alguns mercados que vinham passando por dificuldades", mas que o mercado de hipotecas de risco levará mais tempo para ser sanado --nos próximos dois anos, uma série de hipotecas nesse setor deverão ser reajustadas e os valores dos pagamentos deverão ficar expressivamente maiores.

Ao evento do Departamento do Tesouro estiveram presentes o presidente da Countrywide Financial (maior financeira do setor imobiliário dos EUA), Angelo Mozilo. A Countrywide, no entanto, anunciou na semana passada que pode vir a demitir cerca de 20% de seu quadro de funcionários, devido aos problemas que enfrenta com a inadimplência de clientes do segmento "subprime" (de maior risco).

Os mercados financeiros nos EUA e em outros países vêm lidando com a onda de incerteza provocada pela crise no mercado de hipotecas de risco, mas que já provocou problemas em outras modalidades de crédito. Os principais bancos centrais do mundo já agiram para evitar que a turbulência, por enquanto limitada ao mercado financeiro, atinja a economia como um todo e cause uma recessão.

A expectativa agora, entre analistas e investidores, é que o Federal Reserve (Fed, o BC americano) reduza sua taxa de juros na próxima semana, a fim de compensar as maiores restrições de acesso ao crédito, a fim de evitar um desaquecimento acentuado da economia americana.

O mercado de trabalho, na semana passada, apresentou um indicador que foi recebido como um primeiro sinal desse desaquecimento: a economia americana eliminou 4.000 postos de trabalho na semana passada, primeiro resultado negativo desde 2003.

Paulson lembrou, no entanto, que toda a atual crise acontece tendo como "pano de fundo uma economia robusta". "Diferentemente de outros períodos de turbulência que testemunhei ao longo dos anos, esta não foi precipitada por problemas na economia real."

Os críticos do programa de assistência anunciado por Bush no fim do mês passado destacam que apenas 80 mil pessoas seriam beneficiadas, contra os cerca de 2 milhões de proprietários que terão de enfrentar reajustes de hipotecas nos próximos dois anos.

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