Indústria continuará como carro-chefe da economia, diz CNI
YGOR SALLES
da Folha Online
A CNI (Confederação Nacional da Indústria) prevê que a indústria da transformação se manterá como o carro-chefe da economia no segundo semestre, assim como aconteceu no segundo trimestre.
Segundo o presidente da entidade, Armando Monteiro Neto, o setor garantirá assim que o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro irá fechar o ano próximo dos 5% previstos pelo governo federal.
"O crescimento no terceiro e no quarto trimestre não será tão forte quanto o registrado no segundo trimestre, mas de qualquer maneira será um crescimento que ao final vai garantir a consecução dessa meta próxima de 5%. Com a indústria de transformação, diferentemente dos prognósticos que existiam no início do ano, puxando o crescimento do país", disse em nota.
O PIB brasileiro no segundo trimestre cresceu 5,4% em relação ao mesmo trimestre de 2006, segundo dados divulgados nesta quarta-feira pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O setor industrial foi o que puxou a alta (crescimento de 6,8%), com especial destaque para a indústria da transformação (7,2%).
Para o secretário-executivo da Unidade de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, vários motivos explicam o bom desempenho da indústria no PIB. "Temos juros menores, econômica mundial em bom ritmo, estabilidade interna. Isso leva ao aumento da capacidade produtiva", disse.
Segundo Monteiro Neto, a demanda interna ajudou decisivamente. "A demanda interna também teve uma boa influência, o consumo das famílias vem crescendo. E tudo isso em função da expansão do crédito, que é outro indicador extremamente positivo. A relação crédito-PIB no Brasil vem melhorando significativamente", explicou o dirigente.
Mas Castelo Branco lembra que um crescimento aos dos países emergentes só será possível após a solução de diversos "problemas". "Já estamos crescendo no mesmo ritmo da média mundial, mas para crescer como China ou Índia temos uma série de problemas para resolver", disse.
Entre estes problemas, segundo o economista, estão a alta carga tributária, a questão do câmbio valorizado, os juros altos e restrições de crédito em determinados produtos --como, por exemplo, a do capital de giro. "Se estas restrições forem alcançadas, cresceríamos ainda mais."
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