Dinheiro
13/09/2007 - 09h24

Aquecimento econômico implica riscos para inflação, aponta BC

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ANA PAULA RIBEIRO
da Folha Online, em Brasília

O aquecimento da atividade econômica implica em riscos para a trajetória de inflação e pode aumentar a probabilidade de uma pressão significativa sobre os preços no curto prazo.

A avaliação é do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central, que informou ainda que diversos fatores justificaram a manutenção dos juros, mas que um balanço entre os riscos existentes justificou o corte da taxa para 11,25% ao ano.

"O ritmo de expansão da demanda doméstica, que deve continuar sendo sustentada, entre outros fatores, pelo impulso derivado do relaxamento da política monetária implementado neste ano, continua podendo colocar riscos não desprezíveis para a dinâmica inflacionária. Por outro lado, os últimos desdobramentos sugerem que a contribuição do setor externo para consolidar um cenário inflacionário benigno pode estar se tornando menos efetiva", diz a ata do Copom, divulgada hoje.

Na semana passada, o comitê reduziu, em decisão unânime, a taxa de juros em 0,25 ponto percentual para 11,25% ao ano ano. Nas duas reuniões anteriores, o corte foi de meio ponto, mas houve divergência entre os diretores que fazem parte do colegiado, já que um parte deles chegou a defender um corte menor.

O corte de 0,25 foi feito antes de o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) anunciar que a economia brasileira cresceu 0,8% no segundo trimestre em relação aos primeiros três meses do ano. Já na comparação com o mesmo trimestre do ano passado, a expansão é de 5,4%, segundo dados divulgados ontem pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Investimentos

No entendimento do Copom, apesar desse aquecimento do mercado interno, o aumento dos investimento e as importações têm ajudado a controlar os preços no curto prazo.

"A expansão do investimento e o crescimento das importações, entretanto, têm contribuído para retardar esse processo, complementando a produção doméstica e assim permitindo que os efeitos inflacionários do crescimento sustentado da demanda agregada continuem sendo moderados."

O documento revela ainda que o Copom está preocupado com um possível repasse de preços do atacado para o consumidor, o que acarretaria em um aumento da inflação. Lembrou ainda que é preciso monitorar com atenção o aumento das projeções da inflação para 2007.

"[O Copom] continuará acompanhando atentamente a evolução da inflação e das diferentes medidas do seu núcleo,discriminando entre reajustes pontuais e reajustes persistentes ou generalizados de preços e adequando prontamente a postura de política monetária às circunstâncias", alerta o documento.

Apesar de alertar para esses riscos, os membros do comitê acreditam que as perspectivas para a inflação estão consistentes com a trajetória das metas. Neste ano e no próximo, a meta é de 4,5% do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo). Os analistas prevêem que neste ano e no próximo ela ficará em torno de 4%.

Assim como em outras atas, o Copom voltou a afirmar que a flexibilização da política monetária tem cada vez menos efeito na economia deste ano e passa a influenciar mais o desempenho do próximo ano.

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