Ciesp amplia previsão de crescimento do emprego no ano
DEISE DE OLIVEIRA
da Folha Online
O Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) elevou a projeção de crescimento da taxa de emprego deste ano para entre 2,94% e 4,17% --ante a expectativa de intervalo de 2,15% e 3,03% anunciada em junho-- para o Estado.
A entidade divulgou nesta quinta-feira expansão no nível de emprego da indústria de transformação de São Paulo de 0,32% em agosto na comparação com julho, com a criação de 6.892 vagas.
"A expectativa é favorável em relação ao crescimento da indústria e do emprego, que foi superior ao que projetamos anteriormente", explicou o diretor do Departamento de Economia do Ciesp, Bóris Tabacof. Segundo ele, a menor dependência de um número reduzido de segmentos na evolução das contratações em São Paulo também colaboram para as projeções.
"A área metropolitana de São Paulo, onde há maior diversificação de atividades, gerou mais empregos e isso ajuda a pensar que há maior dispersão na contração entre os setores", explicou Tabacof.
Em relação a julho deste ano, a região da Grande São Paulo anotou alta de 0,25% frente ao mês anterior. O interior do Estado, porém, continua a ter maior expansão, com 0,48% no mês passado. No acumulado em 12 meses, a taxa voltou a transitar em ambiente positivo depois de quase mais um ano e meio, aos 0,40% (no interior, foi de 5,14%).
"O resultado mostra que o crescimento da indústria e do emprego está se difundindo, que há outros setores contratando além do açúcar e do álcool e isso pode influenciar a taxa no final do ano", afirmou o economista da entidade, Carlos Cavalcanti.
Para ele, se a indústria repetir os resultados positivos dos dois primeiros trimestres do ano daqui para a frente, o mercado de trabalho no segmento vai encerrar 2007 com índices similares ou superior a 2004, quando 93.880 foram criadas.
A estimativa para esse ano é entre 80 e 90 mil novos postos de trabalho na indústria. O número é bastante superior as 10.050 vagas geradas em 2006 e as 12.700 em 2005, segundo o Ciesp.
Pressão inflacionária
Para que a projeção seja atingida, Tabacof apelou para que não sejam criadas "medidas de restrição ao crescimento da economia brasileira", em referência aos temores de pressão inflacionária que poderiam suspender a trajetória de queda da taxa de juros. Ele considera, no entanto, que essa deverá ser a medida a ser adotada pelo Banco Central.
"A indústria tem experiência histórica de que com qualquer movimento no aumento da demanda, pela expansão do crédito e da renda, decide-se por esfriar explicitamente a economia", disse Tabacof. Ele descartou a possibilidade de crise de oferta de produtos.
Segundo Tabacof, os dados de expansão no emprego em máquinas e equipamentos e o aumento no investimento de capital fixo no segundo trimestre, de 13,8% em relação ao mesmo período do ano anterior, divulgado ontem pelo IBGE, revelam o aumento da capacidade produtiva.
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