Desemprego tem maior queda em 10 anos e renda sobe, diz IBGE
CLARICE SPITZ
da Folha Online, no Rio
A Pnad 2006 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), pesquisa mais abrangente feita pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) para tratar de mercado de trabalho, aponta que a taxa de desemprego no Brasil registrou em 2006 a maior queda em dez anos. Já a renda dos trabalhadores atingiu o mesmo patamar de 1999. Mesmo assim, a pesquisa mostra que o país ainda reduz de forma lenta o retrato da distribuição de renda.
O presidente do IBGE, Eduardo Nunes, afirmou que apesar das melhorias nos indicadores, acelerar a distribuição de renda ainda constitui o maior desafio do país. Ele também citou a ampliação de acesso à rede de água e esgoto e a maior ampliação da formalização no mercado para aumentar a parcela de trabalhadores que contribuem para a Previdência.
Segundo a Pnad, a taxa de desemprego no país ficou em 8,5% em 2006 após atingir 9,4% no ano anterior. No entanto, ela ainda é superior à marca de 1997, quando atingiu 7,8%. A renda dos trabalhadores aumentou 7,2% em 2006 frente a 2005 --trata-se do maior crescimento desde 1995. Entre 2004 e 2005, ela já tinha subido 4,6%.
| Juca Varella/Folha Imagem |
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| Segundo a Pnad 2006, a taxa de desemprego no país ficou em 8,5% em 2006 |
O IBGE cita o aumento do salário-mínimo de 13,3% frente a 2005 como um dos principais fatores para o aumento do poder de compra dos trabalhadores.
O Nordeste foi a região em que todas as classes de rendimento tiveram aumento do poder de compra, diz a pesquisa. Nas demais regiões houve aumento da renda, mas em extratos de menor poder aquisitivo. Segundo a pesquisadora Marcia Quintslr, o efeito mais forte no Nordeste pode ser resultado indireto de programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, que movimentam a economia, embora não influam diretamente nos rendimentos.
Na comparação com 2005, a taxa de desemprego caiu em quase todas as regiões. Uma das exceções ficou com o Maranhão em que subiu de 6,2% para 7,0%.
De acordo com Cimar Azeredo, gerente da Pnad e da PME, a queda do desemprego era esperada. "Em 2005 houve uma recuperação e, em 2006, uma solidificação do mercado de trabalho, que está absorvendo mais e mostrando maior qualidade do emprego", disse.
Desconcentração de renda
A Pnad mostra ainda que o Brasil obteve uma ligeira melhora na distribuição de renda. O Índice de Gini, indicador de desigualdade de renda (quanto mais perto de 1, mais desigual o país) em relação à renda domiciliar per capita mostrou uma suave redução na desconcentração de 0,532, em 2005, para 0,528, em 2006. Em 2004, o índice era de 0,535.
As diferenças regionais permaneceram marcantes. Em 2006, 12,7% do total de domicílios do país tinham rendimentos até um salário-mínimo. No Nordeste essa parcela correspondia a 25,3%, a maior do país. Por outro lado, 3,0% do total de domicílios tinham rendimentos acima de 20 salários-mínimos.
"Continuamos em um cenário de concentração alta e de diferenças regionais marcantes", afirmou Quintslr. "Prosseguimos em uma trajetória de grande concentração."
Escolaridade
A pesquisa aponta também que os brasileiros com maior escolaridade têm mais dificuldade em encontrar trabalho do que aqueles com menor instrução. A taxa de desocupação entre as pessoas com 11 anos de escola ou mais ficou em 8,3%, enquanto foi de 4,1% entre aqueles com menos de um ano instrução.
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Especial



Estou chegando a conclusão que jornalista tem "complexo de urubu", ou seja, tem sempre que urubuzar, torcer pelo pior. Se você tem 2 notícias, uma boa e outra ruim qual você acha quer irá virar manchete? Claro que a ruim. Vejam o caso desta manchete (que é a principal no portal do UOL e da Folha, 27/03) sobre o desemprego: "Desemprego SOBE para 8,7% em fevereiro, diz IBGE". Porém a manchete poderia ser: "Desemprego CAI para 8,7% em fevereiro, diz IBGE". Isto mesmo, o desemprego CAIU se comparado com o mesmo mês (fevereiro) de 2007, que é a comparação mais correta. E porque é a mais correta? Devido aos efeitos sazonais. Por exemplo, em dezembro o desemprego SEMPRE irá diminuir em relação a novembro, mesmo que o país esteja em recessão. E em janeiro o desemprego SEMPRE aumentará em relação a dezembro, mesmo que o país esteja em crescimento, como agora. Isto é o efeito sazonal, no caso citado o efeito das festas de fim-de-ano quando SEMPRE haverá contratação de mais trabalhadores. Por isto, e todo economista sabe disto, o correto para se averiguar se um país está melhorando na questão do desemprego é SEMPRE comparar com o ano anterior. Mas jornalista sabe disto ? O pior é que sabe! Ele SEMPRE dá a manchete tendenciosamente negativa, não por ignorância mas por costumeira leviandade...
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