Dinheiro
14/09/2007 - 10h01

Desemprego tem maior queda em 10 anos e renda sobe, diz IBGE

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CLARICE SPITZ
da Folha Online, no Rio

A Pnad 2006 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), pesquisa mais abrangente feita pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) para tratar de mercado de trabalho, aponta que a taxa de desemprego no Brasil registrou em 2006 a maior queda em dez anos. Já a renda dos trabalhadores atingiu o mesmo patamar de 1999. Mesmo assim, a pesquisa mostra que o país ainda reduz de forma lenta o retrato da distribuição de renda.

O presidente do IBGE, Eduardo Nunes, afirmou que apesar das melhorias nos indicadores, acelerar a distribuição de renda ainda constitui o maior desafio do país. Ele também citou a ampliação de acesso à rede de água e esgoto e a maior ampliação da formalização no mercado para aumentar a parcela de trabalhadores que contribuem para a Previdência.

Segundo a Pnad, a taxa de desemprego no país ficou em 8,5% em 2006 após atingir 9,4% no ano anterior. No entanto, ela ainda é superior à marca de 1997, quando atingiu 7,8%. A renda dos trabalhadores aumentou 7,2% em 2006 frente a 2005 --trata-se do maior crescimento desde 1995. Entre 2004 e 2005, ela já tinha subido 4,6%.

Juca Varella/Folha Imagem
Segundo a Pnad 2006, a taxa de desemprego no país ficou em 8,5% em 2006
Segundo a Pnad 2006, a taxa de desemprego no país ficou em 8,5% em 2006

O IBGE cita o aumento do salário-mínimo de 13,3% frente a 2005 como um dos principais fatores para o aumento do poder de compra dos trabalhadores.

O Nordeste foi a região em que todas as classes de rendimento tiveram aumento do poder de compra, diz a pesquisa. Nas demais regiões houve aumento da renda, mas em extratos de menor poder aquisitivo. Segundo a pesquisadora Marcia Quintslr, o efeito mais forte no Nordeste pode ser resultado indireto de programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, que movimentam a economia, embora não influam diretamente nos rendimentos.

Na comparação com 2005, a taxa de desemprego caiu em quase todas as regiões. Uma das exceções ficou com o Maranhão em que subiu de 6,2% para 7,0%.

De acordo com Cimar Azeredo, gerente da Pnad e da PME, a queda do desemprego era esperada. "Em 2005 houve uma recuperação e, em 2006, uma solidificação do mercado de trabalho, que está absorvendo mais e mostrando maior qualidade do emprego", disse.

Desconcentração de renda

A Pnad mostra ainda que o Brasil obteve uma ligeira melhora na distribuição de renda. O Índice de Gini, indicador de desigualdade de renda (quanto mais perto de 1, mais desigual o país) em relação à renda domiciliar per capita mostrou uma suave redução na desconcentração de 0,532, em 2005, para 0,528, em 2006. Em 2004, o índice era de 0,535.

As diferenças regionais permaneceram marcantes. Em 2006, 12,7% do total de domicílios do país tinham rendimentos até um salário-mínimo. No Nordeste essa parcela correspondia a 25,3%, a maior do país. Por outro lado, 3,0% do total de domicílios tinham rendimentos acima de 20 salários-mínimos.

"Continuamos em um cenário de concentração alta e de diferenças regionais marcantes", afirmou Quintslr. "Prosseguimos em uma trajetória de grande concentração."

Escolaridade

A pesquisa aponta também que os brasileiros com maior escolaridade têm mais dificuldade em encontrar trabalho do que aqueles com menor instrução. A taxa de desocupação entre as pessoas com 11 anos de escola ou mais ficou em 8,3%, enquanto foi de 4,1% entre aqueles com menos de um ano instrução.

Comentários dos leitores
J. Campos (2) 17/07/2009 09h58
J. Campos (2) 17/07/2009 09h58
Caro, André Souza, se você tivesse estudado mais ou se a sua profesora tivesse te ensinado mais, teria aprendido que não foram só alguns ou poucos os casos de resistência dos negros à escravidão. A escravidão não foi assim tão passivamente aceita por eles, houve resistência e muita. Realmente as cotas não resolvem o problema, principalmente problemas como esse que você tem, que é o preconceito internalizado de si próprio.Que bom que seja negro, que tenha estudado em escola pública e vencido, mas precisa continuar estudando e aprender que a migração, por mais sofrida que foi, de japoneses,italianos,alemães, etc não foi igual ao processo de escravidão. sem opinião
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jeferson neu (17) 17/07/2009 00h03
jeferson neu (17) 17/07/2009 00h03
Mais eficiente do que um sistema de cotas (que diga-se de passagem, foi copiado do modelo americano, que não só fracassou, como também levou ao aumento do preconceito e da intolerância contra os afrodescentendes naquele país), seria a reforça do sistema de ensino no Brasil, com valorização dos professores, como aumento de salário e condições dignas de trabalho; aumento da carga horária no que se refere as aulas; investimento na melhoria das escolas, com ampliação de laboratórios, salas de informática, enfim, aumento do investimento na educação. Porém, como educação não é prioridade para o governo, ou para as elites, seja pelo temor do aumento do conhecimento, o que levaria a contestação maior, além do aumento do nível de consciência da população sobre o que está errado e por que está errado. Educação é a chave para uma revolução sócioeconômica e cultural de uma nação. Enquanto o país relegar a educação a segundo plano, o Brasil continuará a ser o país que é. Atrasado tecnológicamente, atrasado na pesquisa médica, com poucos projetos de vanguarda, com dificuldades de capacitar sua mão de obra, já que os cursos, além de não gratuitos, serem caros, o que dificulta o acesso da maioria da população a melhores postos de trabalho. Países que por conta de reformas educacionais, sairam da pobreza e hoje possuem outro status: Irlanda, Espanha, Portugal, Coréia do Sul, Taiwan, Singapura. A lista é longa. Por que o Brasil não faz parte dela? Falta vontade política. 2 opiniões
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J. Campos (2) 16/07/2009 19h42
J. Campos (2) 16/07/2009 19h42
Em relação ao texto de Carolina Souza, é preciso fazer uma ponderação. Concordo que o sistema de cotas não é a melhor forma de se gerar inclusão/igualdade, mas daí a achar que as condições em que chegaram os imigrantes são comparáveis a forma como chegaram os escravos ao Brasil é muito ingênuo. Eles não vieram à força ou acorrentados ao país.Os imigrantes precisaram lutar sim pelo seu espaço, mas os negros tiveram e têm obstáculos a mais para enfrentarem, quer sejam internos e externos. O processo de inclusão/igualdade se dará, entre outras coisas, com o incentivo a criação de escolas públicas de melhor qualidade. Escolas de qualidade que devam ser frequentadas não só por negros, mas também por pessoas como a dona Carolina ( peço-lhe desculpas )que escrevem aqui de forma equivocada. sem opinião
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