Dinheiro
14/09/2007 - 18h03

UE confia na economia, mas reconhece impacto da crise hipotecária

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da Efe, no Porto (Portugal)

Os altos funcionários de economia da União Européia (UE) se esforçaram nesta sexta-feira para demonstrar sua confiança na força da economia da região, mas reconheceram que a volatilidade e a incerteza reinantes nos mercados estão tendo certa repercussão, mesmo que limitada.

Esta foi a mensagem dada pelo Ecofin (Conselho de Ministros de Finanças da UE), pela Comissão Européia (o órgão executivo da UE) e pelo BCE (Banco Central Europeu), após o primeiro debate sobre a crise financeira originada pelos problemas no mercado hipotecário dos Estados Unidos.

No fim do encontro, o ministro de Finanças português e presidente rotativo do Ecofin, Fernando Teixeira dos Santos, admitiu que a volatilidade atual e seu possível efeito sobre as condições de crédito globais representam um "pequeno risco para o crescimento".

Os ministros insistiram em dizer que a instabilidade dos mercados financeiros não provocará de maneira alguma uma "revisão dramática" das previsões de crescimento da economia européia, e concordaram em destacar a correta atuação do BCE durante a crise.

O responsável de Assuntos Econômicos e Monetários da Comissão Européia, o espanhol Joaquín Almunia, reafirmou que as turbulências terão um pequeno "impacto" no crescimento da economia européia este ano, que devem chegar a 2,5% na eurozona e a 2,8% no conjunto da União Européia.

"Sejamos realistas, mas não exageremos o impacto dos problemas originados no mercado hipotecário dos Estados Unidos", pediu o comissário.

Por sua vez, o presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, se recusou a falar de crise, e insistiu que o momento é de "correção dos mercados".

Após ressaltar a solidez do marco regulador do sistema financeiro, os ministros decidiram estudar possíveis soluções, e solicitaram ao Comitê Econômico e Financeiro da UE uma revisão com o objetivo de aumentar a transparência deste sistema, sobretudo em relação ao funcionamento dos produtos financeiros mais complexos.

O Comitê também deverá avaliar o papel das agências de classificação de riscos, cuja atuação tardia na crise hipotecária dos Estados Unidos já foi motivo de reclamação por parte da Comissão Européia.

De qualquer forma, o comissário de Mercado Interno europeu, Charlie McCreevy, aconselhou "ter paciência" e não adotar decisões sobre mudanças normativas antes de avaliar detalhadamente a situação.

Teixeira dos Santos deixou claro que a UE "está aberta" a qualquer solução, mas lembrou que "nem tudo se regula com mais regras".

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