Dinheiro
18/09/2007 - 15h16

Fed corta juros em meio ponto, para 4,75%, primeira redução desde 2003

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VINICIUS ALBUQUERQUE
da Folha Online

O Federal Reserve (Fed, o BC americano) pôs fim a uma pausa, iniciada em agosto de 2006, na trajetória de alta dos juros e fez um corte de 0,5 ponto percentual hoje, baixando a taxa para 4,75% ao ano. Foi o primeiro corte de juros do Fed desde junho de 2003, quando a taxa baixou de 1,25% para 1% ao ano.

A reunião de hoje foi a primeira depois do agravamento da crise no mercado imobiliário, devido aos problemas no segmento de maior risco (conhecido como "subprime") do mercado hipotecário americano com o aumento na inadimplência. No mês passado, o banco francês BNP Paribas congelou os resgates em três fundos, alegando incertezas quanto à exposição dos investimentos dos fundos ao mercado hipotecário de risco.

Desde então, os principais bancos centrais do mundo --o próprio Fed, o BCE (Banco Central Europeu), o Banco da Inglaterra (banco central britânico) e o Banco do Japão-- liberaram recursos (em alguns casos, como o Fed e o BCE, ainda liberam) para evitar uma crise de liquidez em seus respectivos sistemas bancários. Hoje o BCE, o Fed e o Banco da Inglaterra fizeram novas liberações de recursos nesse sentido.

A última vez em que o Fed havia reduzido sua taxa de juros em 0,5 ponto percentual foi em novembro de 2002, quando a taxa passou de 1,75% para 1,25% ao ano.

Arte Folha Online/Fed
Fonte: Federal Reserve
Fonte: Federal Reserve

O banco manteve sua taxa em 1% ao ano até maio de 2004. A economia dos EUA, então, passou a dar sinais de que estava saindo do período de recessão em que havia entrado em 2001. O banco passou, assim, a elevar a taxa em 0,25 ponto percentual, em uma seqüência de elevações consecutivas até junho de 2006, quando a taxa chegou a 5,25% ao ano. Desde agosto do ano passado, manteve a taxa neste patamar.

A crise imobiliária atual teve seus piores momentos no mês passado, antes de o Fed reduzir sua taxa de redesconto (usada pelo Fed para conceder empréstimos de curto prazo a instituições com escassez temporária de liquidez causada por problemas internos ou externos) para 5,75%. A medida reverteu o cenário de quedas nas Bolsas em Wall Street, que chegaram a cair 3%. As Bolsas ganharam terreno após a medida, mas a expectativa por um corte na taxa básica do Fed (a dos fundos federais, principal da política monetária americana) deu o tom aos negócios.

Com as restrições maiores por parte dos bancos no acesso ao crédito, um corte dos juros básicos do Fed vinha sendo visto como forma de estimular a tomada de empréstimos, para que não houvesse desaquecimento demasiado da economia americana, com a queda no consumo e nos investimentos em produção.

Arte/Folha Imagem
Clique e entenda a crise imobiliária nos EUA que afetou os mercados e derrubou as Bolsas
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Ontem, o congressista republicano e presidente do Comitê Econômico do Congresso americano, Jim Saxton, declarou em uma nota que o corte de juros do Fed era necessário. "O Fed deveria agir para nivelar a curva de juros ao menos até que o impacto macroeconômico da crise imobiliária esteja mais claro', diz o congressista. "O corte de juros do Fed poderia melhorar a posição do banco central no caso de passos adicionais serem necessários para otimizar o crescimento econômico de longo prazo."

O banco vinha mantendo foco sobre os indicadores de inflação. Hoje, o Departamento do Trabalho informou que o PPI (índice de preços no atacado, na sigla em inglês) teve deflação de 1,4% em agosto, contra inflação de 0,6% em julho. O resultado do mês passado é o menor desde outubro do ano passado, quando houve deflação de 1,5%.

Outro sinal de que a economia americana pode ter entrado em um processo de desaquecimento mais intenso foi o indicador de empregos referente a agosto: no mês passado, foram fechados 4.000 postos de trabalho no país --que não via um índice negativo sobre a geração de empregos desde 2003.

O Departamento do Comércio também informou neste mês que a ligeira alta nas vendas no varejo em agosto (de 0,3%) foi impulsionada pela demanda por automóveis, que cresceu 2,8% --maior desde julho do ano passado. Excluída essa categoria, no entanto, as vendas tiveram uma queda de 0,4%, menor resultado em quase um ano. A expectativa era de um crescimento de 0,3%.

Recessão

A chance de que a economia americana caia em uma recessão nos próximos 12 meses cresceu para 36%, em uma pesquisa com 52 economistas realizada pelo diário financeiro americano "The Wall Street Journal" entre os dias 7 e 10 deste mês. Há um mês, a avaliação era de que a chance de ocorrer uma recessão era de 28%.

A crise do mercado de crédito de risco em curso e a desaceleração no setor imobiliário são os fatores que devem puxar para baixo a economia do país, diz a pesquisa. Para 60% dos entrevistados, a crise das hipotecas e a turbulência nos mercados financeiros de risco está na metade, enquanto os outros 40% disseram que o processo ainda está em seus estágios iniciais.

A previsão dos economistas entrevistados para o PIB (Produto Interno Bruto) no quarto trimestre deste ano é de um crescimento de 1,9% (dado anualizado), abaixo dos 2,5% registrados no mês passado. para 2008, a projeção de crescimento é de 2,1%, abaixo da estimativa anterior, de 2,6%.

O presidente do Fed, Ben Bernanke, recebeu uma nota 82 (em uma escala de 100 pontos) por sua atuação à frente do banco. Aproximadamente dois terços dos entrevistados disseram que sua resposta à crise no mercado financeiro (com a liberação de recursos e a taxa de redesconto em 0,5 ponto percentual) foi adequada. Os demais disseram que ele foi lento ao agir para conter a crise.

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