Dinheiro
20/09/2007 - 09h41

Desemprego fica estável em 9,5% em agosto e renda cai 0,5%

CLARICE SPITZ
da Folha Online, no Rio

A taxa de desemprego ficou estável em 9,5% nas seis regiões metropolitanas do país em agosto, segundo dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), com base em informações de Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo.

A geração de postos de trabalho em agosto apesar de surpreender de forma positiva --com acréscimo de 217 mil pessoas no mecado de trabalho-- não foi suficiente para absorver o contingente de trabalhadores que procurou emprego no período.

Segundo o gerente da pesquisa, Cimar Azeredo, em agosto os desempregados, sobretudo, mulheres e jovens, voltaram a procurar trabalho, o que aumentou em 41 mil o número de desempregados. O contingente de desempregados no total das seis regiões atingiu 2,2 milhões de pessoas.

"É um retorno normal de acontecer. Não é um dado negativo, o que se espera nos próximos meses é que a ocupação cresça, principalmente com as vendas de fim de ano", afirmou.
A taxa de desemprego ficou 1,1 ponto percentual abaixo da apurada em agosto do ano passado.

Azeredo afirmou que, com a expectativa de redução da desocupação nos próximos meses, o IBGE estima que a taxa de desemprego encerre 2007 abaixo de dois dígitos. Na média dos primeiros oito meses a taxa de desocupação está em 9,8%, 0,5% inferior ao mesmo período do ano passado. Em 2006, a taxa de desocupação média ficou em 10%.

O contingente de trabalhadores com carteira assinada no setor privado mostrou alta de 2,5% em relação a julho, a maior expansão da série histórica iniciada em 2002, e alta de 7% em relação ao mesmo mês do ano anterior --maior variação desde maio de 2005.

"Apesar de a taxa [de desemprego] não ter cedido, a criação de vagas e com carteira de trabalho assinada é muito positiva", disse. Ele lembrou dos dados da Pnad 2006, divulgados na semana passada, que mostraram que naquele ano a cada cinco empregos criados três eram formais.

Renda

O rendimento médio apresentou baixa em agosto em relação a julho, a terceira queda consecutiva. O salário foi estimado em R$ 1.109,40. Já em relação ao mesmo mês do ano passado, a renda subiu 1,2%.

Segundo Azeredo, boa parcela da queda na série com ajuste sazonal é explicada pelo aumento da inflação, que reduz o poder de compra da população, e pelo aumento das vagas no mercado, já que as pessoas que começam a trabalhar tendem a receber o piso.

"Não é negativo. Estamos em um mês de contratação de novos postos, o que tende a uma remuneração menor. Por outro lado, houve aumento da inflação, que está puxando o rendimento para baixo", disse.

O IBGE também divulgou que a massa real de rendimento da população ocupada atingiu R$ 23,2 bilhões nas seis regiões em julho. O número representa uma alta de 1% sobre junho--o dado é divulgado com um mês de defasagem-- e um avanço de 3,8% sobre igual mês de 2006.

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