Bernanke espera mais inadimplência e execuções de hipotecas
da Folha Online
Os mercados podem esperar mais inadimplência nos pagamentos e execuções de hipotecas de alto risco à medida que os compradores ficarem diante dos reajustes das taxas de juros, disse hoje o presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano), Ben Bernanke.
"Com os preços das casas ainda em declínio e com muitos proprietários tendo de enfrentar reajustes de taxas de juros nas hipotecas, a inadimplência e as execuções de hipotecas nessa categoria de crédito [a de maior risco, chamada de "subprime"] devem aumentar", disse.
| Jason Reed /Reuters |
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| O presidente do Federal Reserve (Fed, o Banco Central americano), Ben Bernanke |
O segmento que reúne hipotecas desse tipo "se ajustou de maneira aguda" e os mercados "tendem a se corrigir sozinhos", diz Bernanke no testemunho preparado para o Congresso.
Bernanke e o secretário do Tesouro americano, Henry Paulson, comparecem hoje ao Comitê de Serviços Financeiros da Câmara de Representantes, onde deverão responder sobre a crise das hipotecas de alto risco.
O presidente do Fed, no entanto, ressaltou que o sistema financeiro dos EUA está em uma posição "relativamente sólida", apesar de toda a turbulência. Durante a recente crise (clique e entenda), "a mudança nas atitudes quanto ao risco, combinada com um risco maior no crédito e com a incerteza sobre como avaliar esses riscos criaram muita 'ressão sobre o mercado", afirmou.
"No lado positivo, os esforços passados para reforçar as posições de capital e a infra-estrutura do mercado financeiro coloca o sistema financeiro global em uma posição relativamente sólida para atravessar esse processo."
Ele afirmou ainda que as perdas nos mercados financeiros globais "excederam em muito até agora as estimativas mais pessimistas" no mercado de crédito de risco. Bernanke lembrou as ações adotadas pelo Fed até o momento para evitar uma crise econômica generalizada: as liberações de recursos para o sistema bancário, o corte na taxa de redesconto (usada pelo Fed para conceder empréstimos de curto prazo a instituições com escassez temporária de liquidez causada por problemas internos ou externos), hoje em 5,75% e o corte na taxa básica, feito na terça-feira (18), que ficou em 4,75% ao ano.
"Os desenvolvimentos recentes nos mercados financeiros aumentaram a incerteza em torno do cenário econômico", afirmou, acrescentando que o Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto, na sigla em inglês, equivalente ao Copom no Brasil) "irá agir conforme for necessário para manter a estabilidade de preços e o crescimento econõmico sustentável".
Com informações da Efe
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